A hepatite medicamentosa por suplementação é um quadro de intoxicação hepática relacionado ao uso de esteroides anabolizantes e moduladores seletivos dos receptores de andrógenos (também conhecidos pela sigla em inglês SARMs), como a testosterona. As substâncias potencializam o aumento dos músculos em pouco tempo. Tendem a estar mais expostos a esse risco jovens praticantes de musculação e fisiculturismo.
Na contramão, outras pessoas — principalmente mulheres — estão mais expostas ao problema pelo uso de suplementos para perder peso, como o extrato de chá verde (Camellia sinensis) combinado com Garcinia cambogia. Quando consumidos em excesso, esses produtos podem aumentar o efeito diurético e facilitar a desidratação e a sobrecarga do fígado, causando intoxicação hepática.
A hepatologista do Iamspe, Silvia Soares, explica que os consumidores de suplementos fitoterápicos também estão suscetíveis ao problema. “A maioria dos casos graves está relacionada a produtos de multicomponentes, frequentemente adulterados ou com rotulagem imprecisa, e a esteroides anabolizantes usados para fins estéticos ou esportivos”, complementa.
Para evitar a hepatite medicamentosa por suplementos, o ideal é consumir produtos aprovados pelos órgãos reguladores, com supervisão médica. Também é indicado suspender o uso imediatamente caso surjam sinais de intoxicação hepática. O quadro é tratado com medicação para controle dos sintomas e observação médica. Em casos graves, pode ser necessário o transplante de fígado.
A especialista do Iamspe reforça que o consumo de suplementos alimentares também pode oferecer riscos à saúde. “Geralmente, esses quadros estão relacionados a produtos adquiridos sem prescrição, muitas vezes pela internet, e a composição pode variar entre lotes, dificultando a identificação do agente tóxico”, finaliza.
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