
Pesquisadores têm encontrado, dentro de tumores do intestino grosso, bactérias que normalmente vivem na boca. O achado fortalece uma linha de investigação sobre o microbioma, o conjunto de micro-organismos que habita o corpo, e coloca a saúde da gengiva no centro de uma conversa que vai muito além dos dentes.
Uma revisão de 2025 estimou que a bactéria Fusobacterium nucleatum aparece em cerca de 45% dos tecidos de tumores colorretais analisados. A Porphyromonas gingivalis, associada à doença na gengiva, aparece em cerca de 21% dos tecidos de tumores colorretais analisados.
Gengiva e risco: o que dizem as revisões
A pergunta seguinte é se quem tem periodontite — a inflamação crônica da gengiva e dos tecidos que seguram os dentes — tem mais chance de desenvolver esse câncer. Três análises publicadas nos últimos cinco anos reuniram pesquisas sobre o tema.
A primeira, de 2021, encontrou risco cerca de 44% maior entre pessoas com doença na gengiva. A segunda, de 2024, com cerca de 16,6 milhões de participantes, identificou um risco 21% maior. A terceira, de 2025, apontou na mesma direção, mas não encontrou uma diferença estatisticamente significativa. Cada análise reuniu estudos diferentes; em conjunto, os resultados indicam uma tendência que continua sendo investigada pela ciência.
São estudos observacionais, que mostram associação. Periodontite e câncer colorretal têm fatores em comum, como tabagismo, alimentação, obesidade e idade, e os pesquisadores trabalham para separar o peso de cada um.
Da boca ao intestino
A hipótese é que bactérias da boca cheguem ao intestino, alterem o equilíbrio dos micro-organismos que vivem ali e mantenham uma inflamação de longo prazo. Alguns estudos associaram a presença dessas bactérias no tumor a um prognóstico menos favorável.
A boca, nessa visão, funciona como um reservatório de bactérias cuja proliferação pode ser controlada. Manter a gengiva saudável tem benefícios já bem estabelecidos, e o tema reforça a importância da consulta regular. Nada substitui os exames de rastreamento do intestino indicados pelo médico. Sangramento, retração da gengiva e dentes que amolecem pedem avaliação de um cirurgião-dentista.
Sobre o Dr. Fernando Costa Jr.
É cirurgião-dentista (CRO-SP 38692), pioneiro no uso do laser Fotona na odontologia brasileira.
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