
A ideia de que profissionais são contratados pela capacidade técnica e desligados por questões comportamentais simplifica, segundo Felipe Brunieri e Guilherme Malfi, sócios-fundadores da Assetz Expert Recruitment, o processo de avaliação de líderes de Finanças. Para os recrutadores, competências técnicas e comportamentais são consideradas em diferentes momentos da carreira, incluindo contratação, promoção, desenvolvimento e desligamento.
Segundo Brunieri, a natureza da área financeira faz com que o conhecimento técnico permaneça relevante mesmo em posições de liderança. A atuação envolve o domínio de legislação, normas e processos relacionados à Contabilidade, Fiscal, Tesouraria e Planejamento Financeiro, o que mantém a capacidade técnica entre os principais critérios de avaliação ao longo da carreira. No entanto, Brunieri alerta: "Você contrata pelo técnico e pelo comportamento, mas você demite também pelo técnico e pelo comportamento".
Malfi reforça que a máxima é uma simplificação excessiva em posições de liderança. "A contratação acontece pela combinação entre competência técnica, capacidade de liderança, visão estratégica, aderência cultural e potencial de evolução", afirma. Os desligamentos, segundo ele, raramente têm uma única causa: podem ocorrer como consequências de dificuldades técnicas diante de novos desafios, baixa capacidade de decisão, falta de entrega ou problemas de relacionamento.
As duas dimensões influenciam a contratação
Dados da pesquisa "O Perfil do CFO no Brasil 2026", realizada pela Assetz em parceria com a Fundação Dom Cabral e presente no anuário "Finance Career Perspective 2026", mostram a proximidade entre os dois critérios. Entre os 106 CFOs que responderam ao levantamento, 41,1% apontaram desalinhamento comportamental como principal motivo para a reprovação de candidatos à área financeira, enquanto 33,9% mencionaram falta de conhecimento técnico ou de experiência profissional.
Mesmo em posições nas quais o executivo deixa de desempenhar atividades operacionais, o repertório técnico continua sendo necessário, de acordo com Brunieri. Para ele, o CFO precisa compreender os fundamentos da área para questionar premissas, avaliar riscos e analisar informações apresentadas pela equipe, além de sustentar discussões com o Conselho.
"A parte técnica é importante para você conseguir discutir, criticar e analisar os dados", pondera. Esse conhecimento também está relacionado à atuação do executivo diante de bancos, auditorias e investidores, que exige compreensão dos dados e das decisões financeiras da companhia.
Malfi acrescenta que a responsabilidade sobre as decisões permanece com o líder, mesmo quando determinadas atividades são executadas por especialistas. Um CFO pode não elaborar diretamente um valuation ou consolidar demonstrações financeiras, mas precisa compreender esses processos para identificar inconsistências e antecipar riscos. Sem esse domínio, segundo ele, a atuação estratégica pode ficar excessivamente dependente da equipe.
Atualização técnica acompanha mudanças na área
As transformações regulatórias e tecnológicas também mantêm a necessidade de atualização profissional. Brunieri cita normas do Banco Central e da Superintendência de Seguros Privados (Susep), além de mudanças contábeis, como exemplos de temas que exigem acompanhamento contínuo dos líderes, com apoio das respectivas equipes.
No campo tecnológico, o executivo observa mudanças relacionadas ao avanço da inteligência artificial. Na avaliação dele, o conhecimento técnico não se torna necessariamente perecível, mas passa a estar mais acessível, à medida que novas ferramentas ampliam o acesso a informações e possibilidades de aplicação. Brunieri ressalta, porém, que a maturidade de adoção de IA no Brasil ainda é inferior à observada em grandes organizações globais.
Malfi também aponta automação, analytics, ESG e novas exigências de governança como fatores que reduziram o intervalo entre as atualizações necessárias aos profissionais. "Um líder consolidado que deixa de aprender continuamente pode perder competitividade rapidamente", informa, destacando a importância da capacidade de adaptação.
Falhas relacionadas ao conhecimento técnico também podem ter impacto em decisões de desligamento. Brunieri cita problemas como balanços mal auditados e negociações bancárias conduzidas de forma inadequada, que podem afetar a reputação do profissional e da empresa. Malfi detalha que análises incorretas e falhas de compliance podem expor a companhia a riscos e comprometer a confiança, independentemente da capacidade de relacionamento do executivo.
O domínio técnico, entretanto, não substitui as competências comportamentais. Para Brunieri, mesmo contando com uma equipe tecnicamente forte, o líder precisa ter conhecimento suficiente para acompanhar as discussões e participar das decisões, ao mesmo tempo em que desenvolve as habilidades comportamentais necessárias para desenvolver pessoas e influenciar o negócio.
Para Malfi, os profissionais mais valorizados combinam conhecimento técnico, visão de negócio, capacidade analítica, comunicação, influência e liderança de pessoas. A integração dessas competências permite que o executivo não apenas participe das decisões, mas também conduza sua implementação dentro da organização.
Para os sócios-fundadores da Assetz, a combinação entre técnica e comportamento acompanha a transformação do papel dos líderes de Finanças. A função deixou de estar concentrada apenas no controle financeiro e passou a participar de decisões relacionadas a crescimento, transformação digital e geração de valor, mantendo as duas dimensões como componentes da atuação profissional.
Para mais informações, basta acessar: https://assetz.com.br
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