
A ampliação do uso de inteligência artificial nas empresas tem deslocado parte do debate corporativo. Além do acesso a ferramentas, organizações têm discutido como adaptar processos, preparar equipes e desenvolver capacidades humanas para transformar tecnologia em prática de trabalho.
De acordo com o relatório "The Future of Jobs Report 2025", do World Economic Forum, mudanças tecnológicas, fragmentação geoeconômica, incerteza econômica, transição verde e alterações demográficas estão entre os fatores que devem transformar o mercado de trabalho até 2030. O levantamento reúne respostas de mais de mil empregadores globais, que representam mais de 14 milhões de trabalhadores em 22 setores e 55 economias.
O mesmo relatório aponta que 39% das principais habilidades exigidas no mercado de trabalho devem mudar até 2030. Entre as competências em crescimento estão IA e big data, redes e cibersegurança, letramento tecnológico, pensamento criativo, resiliência, flexibilidade, agilidade, curiosidade, aprendizagem contínua, liderança e influência social.
Outro estudo, da McKinsey, publicado em 2025, indica que mais de três quartos das organizações pesquisadas utilizam IA em ao menos uma função de negócio. O levantamento também aponta que empresas começam a redesenhar fluxos de trabalho, elevar a governança de IA e treinar colaboradores para participar da implantação dessas tecnologias. Segundo a consultoria, a captura de valor com IA está associada a fatores como estratégia, talentos, modelo operacional, tecnologia, dados, adoção e escala.
No Brasil, o Work Trend Index 2025, da Microsoft, aponta que 94% dos líderes ouvidos no país consideram o ano atual crucial para repensar aspectos fundamentais de estratégia e operações. O relatório associa essa mudança à presença crescente da IA no trabalho e à reorganização de funções, equipes e modelos de gestão.
Nesse contexto, São Paulo receberá, nos dias 19 e 20 de agosto de 2026, uma edição do Future Skills Masterclass, programa presencial da Hyper Island voltado a líderes, tomadores de decisão, profissionais de inovação, recursos humanos, treinamento e desenvolvimento, marketing e indústrias criativas. A programação prevê dois dias de atividades sobre inovação em um mundo pós-IA e liderança em cenários de transformação contínua.
Segundo o material do evento, o primeiro dia aborda o papel da inteligência artificial na forma como profissionais se conectam, aprendem e colaboram. O segundo dia trata de liderança em contextos nos quais as respostas nem sempre estão definidas, com temas como adaptabilidade, pensamento crítico, colaboração, foresight e tomada de decisão em ambientes complexos.
A edição também prevê a participação de profissionais de diferentes setores e empresas, com possibilidade de participação em grupo por equipes corporativas. A proposta é reunir líderes e inovadores de diferentes segmentos em torno de discussões sobre habilidades futuras, aprendizagem contínua, inteligência coletiva e aplicação de ferramentas em desafios organizacionais.
Para Benito Berretta, diretor-geral da Hyper Island Américas, a discussão sobre IA no trabalho envolve dimensões que ultrapassam o uso técnico das plataformas. "A adoção de IA envolve redesenho do trabalho, aprendizagem e novas formas de colaboração", afirma.
O avanço da IA nas empresas indica que o tema deve permanecer associado à agenda de desenvolvimento de pessoas, gestão da mudança e estratégia organizacional nos próximos anos. A discussão passa a envolver, além da implementação tecnológica, a capacidade de preparar lideranças e equipes para operar em ambientes de transformação constante.
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