
João Batista apresenta Jesus como o "Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1,29). É um sublime título que lembra a figura do Servo, descrita no cântico do profeta Isaías, preparado pelo Senhor desde o seu nascimento, para ser "luz das nações" e "restaurar as tribos de Jacó e reconduzir os remanescentes de Israel (Is 49,3.5-6). Lembra também o cordeiro pascal, símbolo da redenção de Israel (cf. Ex 12). Jesus é o Servo que oferece a sua vida pela redenção da humanidade e o Cordeiro imolado que tira o pecado do mundo.
A imagem do cordeiro é familiar nos escritos joaninos. No livro do Apocalipse, depois de escrever as cartas para as comunidades cristãs da Ásia Menor, João teve a visão de uma porta aberta no céu, e ouviu uma voz convidando-o a entrar para mostrar "as coisas que devem acontecer" (Ap 4,1). Entrando no céu, ele viu um trono e nele alguém sentado, com um livro na "mão direita", "lacrado com sete selos" (Ap 5,1). É o livro que contém o roteiro da história. Ninguém é capaz de abrir o livro, por isso João chorava muito. Um ancião o consola, dizendo que "o leão da tribo de Judá, o rebento de Davi, venceu, para abrir o livro e seus sete selos" (Ap 5,5). João viu um "Cordeiro, de pé, como que imolado" Ap 5,6).
No momento em que o celebrante dá início à fração do pão na Santa Missa, os fiéis recitam ou cantam o Cordeiro de Deus. Jesus é o Cordeiro imolado, que tira o pecado do mundo, o único capaz de compreender e discernir a nossa história e apagar os nossos pecados. Ele e o Pai, "que está sentado no trono", são dignos "de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força a honra, a glória e o louvor" Ap 5,2.13).
Jesus Cristo é o ungido de Deus: pleno do amor do Pai, Ele derrama sobre nós o Espírito Santo sem medida (cf. Jo 3,33), sua vida e sua morte tiram o pecado do mundo, santificando o ser humano (cf. 1 Cor 1,2).
"Para vós, graça e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo" (1 Cor 1,3).
Dom Paulo Beloto
Bispo de Franca
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