
Jesus contou aos seus discípulos as parábolas do tesouro escondido e da pérola de grande valor, com a intenção de apresentar o Reino dos Céus como nosso único bem (cf. Mt 13,44-46). Quem o descobre, é capaz de se desfazer do que tem, pois sabe que adquiriu algo maior e valioso.
O Reino de Deus é o conteúdo central da pregação e missão de Jesus: é a realização de todas as promessas, é a presença amorosa e gratuita do Pai na vida dos seus filhos e filhas e o que significa essa presença: amor, perdão, paz, justiça, vida e salvação. Jesus nos revelou que Deus é o centro e o sujeito de tudo, por isso, todas as coisas devem ser vistas e conduzidas com os olhos e as ações divinas e serem abordadas com o prisma da fé. Com Jesus, o Reino se aproximou e se encarnou na história humana, mas vai além, é transcendente e absoluto. Por ele, devemos renunciar a tudo e acolher com generosidade e decisão essa graça.
Salomão pediu a Deus sabedoria para praticar a justiça, queria um coração compreensivo, capaz de dirigir o povo e de saber discernir entre o bem e o mal. O Senhor concedeu ao jovem rei a graça de governar segundo a sua vontade (cf. 1 Rs 3,5.7-12). A sabedoria divina ajuda a escolher as coisas certas, a seguir as orientações de Deus. Acolher essa sabedoria é adquirir um tesouro, é ter o discernimento correto para conduzir a vida .
"Tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8,28). Amar a Deus é colocá-lo no centro da vida. Nosso olhar deve se voltar sempre para o Senhor, caso contrário, todo o resto perde a sua orientação.
A parábola da rede lançada ao mar (cf. Mt 13,47-51) trata das últimas coisas. Deus é o juiz que irá separar os bons dos maus, aqueles que foram fiéis à sua palavra e os injustos. A comparação é um apelo à conversão e à perseverança no caminho do bem. É o futuro que orienta o que fazemos agora.
"Todo mestre da Lei que se torna discípulo do Reino dos Céus, é como um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas" (Mt 13,52). É preciso discernir da Lei a vontade de Deus, a sabedoria que orienta e governa a nossa existência.
Na sua mensagem para a Jornada Mundial dos Avós e das Pessoas Idosas, o Papa Leão XIV seguiu como inspiração uma passagem de Isaías:
"Eu nunca te esquecerei" (Is 49,15). São palavras do próprio Senhor, que promete pela boca do profeta que nunca se esquecerá do seu povo, principalmente na fragilidade da velhice. A Igreja é chamada a ser mãe de todos, e é sempre possível, em qualquer idade, descobrir-se filhos e filhas de Deus.
"Que o Senhor nos renove sempre na fé, na esperança e na caridade, Ele que nunca se esquece de nós!" (Papa Leão XIV).
Rezemos por todos os avós e pessoas idosas.
Dom Paulo Roberto Beloto
Bispo de Franca
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