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“O Senhor esteve a meu lado e me deu forças” ( 2 Tm 4,17)

Em reflexão baseada na parábola do fariseu e do cobrador de impostos, Dom Paulo destaca que a salvação não vem das obras humanas, mas da graça gratuita de Deus

25/10/2025 às 07h55 Atualizada em 25/10/2025 às 08h00
Por: Redação
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“O Senhor esteve a meu lado e me deu forças” ( 2 Tm 4,17)

Jesus contou a parábola do fariseu e do cobrador de impostos, que subiram ao Templo para rezar, a "alguns que confiavam na sua própria justiça e desprezavam os outros" (Lc 18,9). O fariseu era o representante da mentalidade judaica que concebia a relação com Deus através do dogma da retribuição: Ele é justo e retribui com a sua graça àqueles que são justos. A sua justiça é resultado da retribuição das obras, conforme os méritos. O fariseu era fiel à Lei, por isso, sentia-se seguro em sua salvação, esperava de Deus apenas a graça merecida. Com esta mentalidade, fazia da religião um negócio, acreditava assegurar a vida com as suas obras. Considerava-se justificado e exigia do Senhor a recompensa. Mas ao pensar ter mérito e justificar-se diante de Deus, o fariseu afastava-se dele e das pessoas. O coletor de impostos teve uma postura diferente. Assumiu a sua condição de pecador, tinha consciência de sua culpa e de sua miséria. Voltou-se para Deus e se abriu a sua graça, pedindo a manifestação de sua misericórdia. Jesus disse que o publicano "voltou para casa justificado, o outro não" (Lc 18,14).

Após sua experiência de conversão, Paulo compreendeu que a religião cristã é um mistério de fé e de graça, a revelação de um Deus que nos ama gratuitamente e nos torna justos, não por causa de nossas obras, mesmo sendo elas importantes e legítimas, mas por causa de sua bondade e misericórdia. A justiça do Pai é o seu amor gratuito, que brota do seu coração bondoso, sem depender das obras humanas. Somos "justificados gratuitamente pela graça de Deus, por meio da redenção em Cristo Jesus" (Rm 3,24). Numa espécie de testamento espiritual (cf. 2 Tm 4,6-8.16-18), o apóstolo partilha com o jovem Timóteo a sua experiência no fim da vida. Não se gloria daquilo que fez: é o Senhor quem lhe dará a "coroa da justiça", quem esteve ao seu lado e lhe deu forças na evangelização, quem o "libertará de todo o mal" e o "salvará para o seu Reino celeste".

Deus é pura misericórdia e não se deixa mover pelas obras da Lei. Nenhuma criatura tem poder sobre Ele, nem por meio de méritos. Ele nos liberta dos pecados, mediante a fé em Jesus Cristo, e nos torna justos pelo dom do Espírito Santo.

Diante deste mistério, qual deve ser a atitude humana? Abrir-se, na humildade, à salvação oferecida gratuitamente, pois "a prece do humilde atravessa as nuvens" (Eclo 35,21). A humildade é um pressuposto para a oração. É preciso acreditar na graça de Deus e acolher na fé o seu dom, aderir ao Reino e entrar na Nova Aliança. Devemos nos sentir amados e salvos por Jesus Cristo,  e receber o dom da sua misericórdia. Assim, podemos colaborar com Ele, vivendo o seu amor e assumindo as exigências do caminho.

Clamam os justos, e o Senhor bondoso escuta e de todas as angústias os liberta" (Sl 33,18).

Dom Paulo Roberto Beloto
Bispo de Franca

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