
O Arquivo Histórico Municipal Capitão Hipólito Antônio Pinheiro, localizado no Complexo Poliesportivo de Franca, abriga um verdadeiro tesouro da memória da cidade e da região. Criado em 1989, o espaço reúne cerca de 190 mil documentos que retratam a formação e o desenvolvimento de Franca desde o século XVIII.
Entre os materiais preservados estão processos cíveis e criminais oriundos do Fórum local, datados do final do século XVIII até a década de 1980; atas e indicações da Câmara Municipal, processos trabalhistas, plantas de imóveis de 1914 a 1960, além de certidões de óbito entre 1965 e 2021. O acervo também inclui livros de registros de sepultamentos da Paróquia e do Cemitério da Saudade, abrangendo o período de 1805 a 2010.
O Arquivo dispõe ainda de uma biblioteca de apoio com obras antigas e atuais, doações de pesquisadores e genealogistas, além de livros que ajudam a contextualizar a história local e regional. Há também jornais francanos do final do século XIX aos dias atuais, mapas históricos, fotografias de diversas épocas e documentos disponíveis em formatos impressos e digitalizados.
Um dos itens mais curiosos e procurados é um processo datado de 1852, época em que a pena de morte ainda era aplicada no Brasil. O registro trata da condenação de quatro homens pelo assassinato de um ex-escravizado alforriado, cuja execução ocorreu por enforcamento nas proximidades do atual Paço Municipal, no bairro Cidade Nova.
Tombado pelo CONDEPHAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Turístico) de Franca, o Arquivo Histórico é reconhecido por sua relevância na preservação da memória da cidade. O local recebe diariamente professores, pesquisadores, estudantes e a população em geral, interessados em conhecer o acervo e os registros que ajudam a compreender a trajetória francana.
O espaço funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, e pode ser contatado pelo telefone (16) 3711-9215 ou pelo e-mail [email protected].
O Arquivo leva o nome de Capitão Hipólito Antônio Pinheiro, considerado o fundador de Franca. Fazendeiro da região, ele foi nomeado Capitão de Ordenanças em 1804. Em 28 de novembro de 1824, ocorreu a emancipação de Franca — até então chamada Vila Franca del Rey — que passou a se denominar Vila Franca do Imperador e ganhou autonomia política e administrativa. Por sua contribuição decisiva nesse processo, Hipólito foi homenageado como patrono do Arquivo Histórico Municipal.
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