
Em um cenário dominado pela "economia da influência", em que o sucesso é frequentemente medido por algoritmos, métricas de vaidade e retenção de tela baseada em segundos, uma figura histórica reafirma seu lugar como o verdadeiro criador de conteúdo transformador da sociedade: o professor. Com o Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro, o debate sobre o papel do educador frente às gerações Z e Alpha ganha novos contornos, contrapondo a influência efêmera dos feeds à influência real e duradoura exercida dentro das salas de aula.
A disputa pela atenção dos jovens, cada vez mais imersos no ambiente digital, parece ser a pauta do momento. No entanto, para Deborah Anastacio, gerente-executiva pedagógica do Grupo Salta, o verdadeiro desafio vai além de uma simples concorrência com as telas. "Acredito que o maior desafio não seja exatamente disputar a atenção dos alunos com as telas, mas conseguir transformar essa atenção em interesse genuíno pela aprendizagem", analisa a especialista.
Ela destaca que, enquanto as experiências digitais oferecem estímulos imediatos, o processo de aprendizado exige envolvimento, reflexão, aprofundamento e persistência. Aprender, segundo a gerente, requer enfrentar dúvidas e lidar com frustrações, esforços que são parte fundamental da construção do conhecimento.
Para manter o engajamento sem perder a profundidade acadêmica, muitos educadores têm recorrido a técnicas hoje associadas à comunicação digital, como o storytelling e o dinamismo. Contudo, Deborah lembra que a utilização de narrativas e a contextualização no ensino já são discutidas na educação muito antes da popularização das redes sociais, citando a teoria da aprendizagem significativa de David Ausubel.
"Contar histórias, criar situações-problema, diversificar linguagens e promover a participação dos alunos são práticas que já fazem parte do repertório docente. O engajamento deve caminhar junto com a reflexão, e a criatividade precisa ser um meio para potencializar a aprendizagem, e não um fim em si mesma", completa.
A grande diferença entre a influência digital e a escolar reside na natureza da relação construída. Nas redes sociais, a interação costuma carecer de uma relação direta e contínua. Já na sala de aula, o professor conhece os alunos, acompanha seus processos e constrói confiança diariamente.
"Enquanto uma publicação pode alcançar milhares de pessoas em poucos segundos, o trabalho de um professor se desenvolve em uma relação cotidiana. Essa dimensão relacional que faz a influência do educador permanecer por anos", reflete Deborah.
O impacto dessa presença contínua muitas vezes transcende a complexidade do conteúdo acadêmico. A própria especialista carrega uma história que comprova esse ciclo de impacto. Inspirada por sua professora da 4ª série, Luciana Marinho, que tornava as aulas de Matemática e Ciências acessíveis e envolventes, Deborah decidiu seguir a mesma carreira.
Anos mais tarde, o destino promoveu um reencontro inusitado: Deborah tornou-se a professora de Matemática da filha de Luciana. "Acho que essa história representa muito bem a influência que um professor pode exercer. A Luciana provavelmente não imaginava que estava inspirando uma de suas alunas a seguir a mesma profissão", relata.
Para garantir que histórias como essas continuem acontecendo, a valorização do docente precisa ir além das homenagens pontuais em datas comemorativas, exigindo investimento contínuo em formação e desenvolvimento.
No Grupo Salta, iniciativas como o programa EducA+ buscam criar espaços de reflexão e compartilhamento de experiências, valorizando os saberes que o professor já possui e fomentando uma postura de aprendizagem contínua. A qualidade dessas relações é constantemente acompanhada por meio de pesquisas de opinião e métricas como o NPS com alunos e famílias, servindo como instrumentos de escuta para o aperfeiçoamento da experiência escolar.
Neste 15 de outubro, a mensagem que ecoa para a sociedade e para o mercado educacional é um lembrete sobre a essência do ensino. Por mais que surjam novas tecnologias e linguagens, as relações humanas seguem no centro da aprendizagem."O professor não é apenas alguém que compartilha conteúdos. É quem provoca perguntas, amplia perspectivas, acompanha processos e ajuda os estudantes a construir conhecimentos. Poucas influências são tão significativas quanto aquelas que nos ajudam a descobrir do que somos capazes", acentua Deborah.
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