Levantamento publicado no Jornal Vascular Brasileiro, em 2022, apontou que 12,3% das mulheres brasileiras apresentam sintomas compatíveis com lipedema, o que corresponderia a cerca de 8,8 milhões de mulheres adultas no país. A condição, caracterizada pelo acúmulo desproporcional e simétrico de gordura nas pernas e, em alguns casos, nos braços, é frequentemente confundida com obesidade, embora tenha origem distinta e não responda da mesma forma a dietas e exercícios.
Nesse contexto, a lipoaspiração de pernas tem sido utilizada como parte do manejo clínico do lipedema, auxiliando na redução do volume de tecido adiposo afetado pela condição. Segundo o cirurgião plástico Fábio Selbach, o procedimento também é procurado por pacientes, homens e mulheres, sem diagnóstico de lipedema, com o objetivo de aperfeiçoamento estético da região das pernas e coxas.
De acordo com o especialista, a indicação da lipoaspiração de coxa segue critérios semelhantes aos de outras áreas do corpo. "O procedimento é indicado para pacientes em boas condições gerais de saúde e boa forma física. Antes de buscar a cirurgia, recomenda-se que o paciente já esteja em rotina de exercícios físicos e evite o contato com álcool, tabaco e outras substâncias que possam interferir na cicatrização e na recuperação", afirma Selbach.
O médico reforça que a lipoaspiração não deve ser compreendida como um método de emagrecimento. "A lipoaspiração é um procedimento de aperfeiçoamento estético e, no caso do lipedema, de auxílio ao manejo da condição, não um substituto para a perda de peso. Os melhores resultados costumam ocorrer quando o paciente já está dentro do seu peso considerado ideal antes da cirurgia", explica.
Selbach destaca ainda que, nos casos associados ao lipedema, a avaliação médica prévia é determinante para diferenciar a condição de outros quadros, como a obesidade comum ou o linfedema, já que cada diagnóstico exige uma abordagem de tratamento distinta. "Identificar corretamente a origem do acúmulo de gordura nas pernas é essencial antes de indicar qualquer procedimento cirúrgico", conclui o cirurgião.
Fonte: Jornal Vascular Brasileiro (2022) – Prevalência do lipedema no Brasil: https://lipedema.org.br/prevalencia-do-lipedema-no-brasil-os-dados-oficiais/
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