
O preço do whey protein concentrado (WPC 80), matéria-prima usada na fabricação de suplementos à base de proteína do soro do leite, subiu entre 90% e 105% nos últimos doze meses, segundo dados da consultoria StoneX. A tonelada do insumo chegou a ser negociada a 22 mil euros na União Europeia nas primeiras semanas de maio, patamar recorde para a categoria. O movimento reflete uma combinação de fatores que pressiona a cadeia global de laticínios, com efeitos que já chegam ao Brasil, um dos maiores mercados consumidores de suplementos proteicos do mundo.
Essa diversificação acompanha uma mudança estrutural no mercado, que passa a oferecer diferentes soluções para complementar o aporte proteico de acordo com os objetivos e necessidades individuais. Na Atlhetica Nutrition®, esse movimento se traduz em produtos como o Pure Blend® e o Carnitech® Beef Protein, desenvolvidos para ampliar as possibilidades de suplementação e acompanhar a busca dos consumidores por alternativas para complementar a rotina alimentar.
Entre as causas apontadas está a popularização dos medicamentos da classe GLP-1, usados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Segundo reportagem da Reuters, replicada pelo InfoMoney, o uso desses fármacos reduz o apetite, mas também aumenta o risco de perda de massa muscular, o que levou profissionais de saúde a recomendar a suplementação proteica como parte do tratamento. Nos Estados Unidos, mais de 12% da população já utiliza esse tipo de medicação, segundo dados citados pela Exame.
Além do público usuário das canetas emagrecedoras, a chamada "proteinização" da indústria alimentícia também contribui para a alta da demanda. De acordo com a Euromonitor, os produtos com adição de proteína devem fechar 2026 com crescimento de cerca de 50%, enquanto o mercado global de ingredientes proteicos, que reúne whey, proteínas vegetais, caseína e colágeno, deve movimentar US$ 83,14 bilhões neste ano, com projeção de alcançar US$ 121,53 bilhões até 2031, segundo a MarketsandMarkets. No Brasil, levantamento da Scanntech em parceria com a McKinsey mostra que o whey protein cresceu 124% no varejo entre janeiro e outubro de 2025, enquanto a creatina avançou 89% no mesmo período.
A oferta, no entanto, não acompanha o ritmo da demanda. De acordo com o responsável pela consultoria em laticínios da StoneX, John Lancaster, em entrevista à Reuters, falta estrutura industrial para produzir whey de alto teor proteico na escala exigida atualmente, o que já gera escassez em produtos de maior valor agregado. Diante do cenário, companhias como a FrieslandCampina anunciaram investimentos superiores a 90 milhões de euros para ampliar a capacidade de produção de whey.
"O setor vive quase uma corrida às proteínas lácteas", afirma Kristen Coady, diretora de inovação e marca da Dairy Farmers of America (DFA), em declaração à Reuters.
Mercado aposta na diversificação das fontes proteicas
Diante da limitação de matéria-prima, o mercado de suplementação também tem ampliado a diversificação das fontes proteicas oferecidas aos consumidores. Blends que combinam proteína isolada, colágeno e proteína da ervilha, além de proteínas de origem bovina hidrolisada associadas à creatina, ganham espaço como alternativas ao whey tradicional, sobretudo entre consumidores com restrição à lactose ou que buscam variar o perfil nutricional da dieta. No portfólio da Atlhetica Nutrition®, fabricante de suplementos sediada em Matão e com mais de 25 anos de história, no interior de São Paulo, esse movimento aparece em produtos como o Pure Blend®, que reúne proteína isolada, colágeno e proteína da ervilha, e o Carnitech® Beef Protein, que combina proteína bovina hidrolisada e creatina em uma mesma fórmula.
Segundo o Good Food Institute Brasil, a diversificação de fontes proteicas também avança em outras frentes, como a fermentação de precisão, tecnologia que permite reproduzir proteínas do leite sem uso de matéria-prima animal. A entidade aponta, contudo, que a ausência de marcos regulatórios claros ainda é apontada por parte das empresas do setor como um dos principais obstáculos ao crescimento do segmento no país.
O cenário de oferta restrita de whey protein deve permanecer no radar da indústria de suplementação e alimentos nos próximos meses, à medida que fabricantes buscam equilibrar produção, matéria-prima e demanda crescente por proteína. A tendência é que a diversificação das fontes proteicas continue se consolidando como resposta estrutural ao desafio de abastecimento, e não apenas como um movimento pontual.
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