
Entre janeiro e junho de 2026, a Hoff Analytics identificou 388.411 obras e reformas únicas em todo o país, correspondentes a aproximadamente 867,6 milhões de metros quadrados de área mapeada. O levantamento reúne movimentações construtivas relacionadas a 51.912 construtoras e empresas executoras únicas. Os dados integram o novo panorama executivo da Construção Civil do 1º semestre de 2026, elaborado a partir da inteligência proprietária da empresa.
Mais do que dimensionar a atividade construtiva, o estudo revela como essa demanda se distribui entre diferentes perfis de clientes, portes de obra, sistemas construtivos, municípios e canais comerciais.
Quase 69% dos registros possuem perfil de varejo. Outros 27% estão associados a pessoas jurídicas privadas, enquanto os empreendimentos públicos representam aproximadamente 4% do universo analisado.
A elevada participação de pessoas físicas como cliente final impede a identificação ou o contato direto com esse público, em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Isso não significa, contudo, que a oportunidade comercial esteja restrita ao proprietário do imóvel. Em grande parte desses projetos, a escolha dos materiais, a elaboração dos orçamentos e a execução dos serviços envolvem construtoras locais, empresas executoras, instaladores e outros profissionais técnicos. São esses agentes que funcionam como ponte entre a indústria, o varejo e o consumidor final.
"Quando uma empresa acompanha somente grandes construtoras e grandes canteiros, ela enxerga apenas uma parte do mercado. Há uma parcela muito relevante da demanda distribuída entre obras menores, milhares de municípios e uma rede de executoras e profissionais que participa diretamente da decisão de compra", afirma Wesley Bichoff, fundador da Hoff Analytics e especialista em dados.
O porte dos empreendimentos reforça esse cenário fragmentado. Entre os registros com metragem classificada, 46,86% estão na faixa de até 100 m², enquanto outros 26,49% possuem entre 101 m² e 250 m². Somadas, as duas faixas representam 73,35% dos registros, indicando um grande mercado formado por residências, ampliações, reformas e pequenos projetos. A classificação por finalidade mostra que o Residencial Unifamiliar concentra 67% do total analisado, equivalente a aproximadamente 260 mil empreendimentos.
Para a Hoff Analytics, essa segmentação permite diferenciar estratégias de alta capilaridade, mais ligadas ao varejo e à distribuição, de abordagens voltadas à especificação técnica, grandes contas e canal de engenharia.
O panorama também classifica os empreendimentos de acordo com o sistema construtivo predominante. A Alvenaria Convencional aparece em 61% dos casos, seguida pela Estrutura de Concreto, com 30%. As Estruturas Metálicas representam 8%, enquanto a Estrutura de Madeira corresponde a 1%. Alvenaria e concreto somados estão presentes em 91% dos projetos analisados, o equivalente a aproximadamente 353,5 mil registros.
Na distribuição geográfica, São Paulo lidera o ranking estadual, com 108.398 registros, equivalentes a aproximadamente 27,9% do total nacional. Na sequência aparecem Minas Gerais, com 51.845 empreendimentos; Rio de Janeiro, com 26.109; Paraná, com 21.982; e Rio Grande do Sul, com 19.439. Os cinco estados líderes concentram aproximadamente 58,6% do total identificado no país, participação que sobe para cerca de 77,5% quando considerados os dez primeiros estados.
No recorte municipal, a cidade de São Paulo ocupa a primeira posição, com 38.799 registros, seguida pelo Rio de Janeiro, com 14.546, e por Brasília, com 6.580. Belo Horizonte, Curitiba, Goiânia, Salvador, Porto Alegre, Fortaleza e Recife também aparecem entre os principais mercados urbanos. Apesar disso, as 20 cidades com maior número de registros representam somente 28,3% do total nacional, o que significa que aproximadamente 71,7% dos empreendimentos estão distribuídos fora dos municípios líderes, abrangendo regiões metropolitanas, cidades médias, polos regionais e municípios de menor porte.
Esse padrão se repete, estado a estado. Em Minas Gerais, aproximadamente 89,5% dos registros estão fora de Belo Horizonte. No Rio Grande do Sul, 82,5% estão fora de Porto Alegre; no Paraná, 80,9% fora de Curitiba; e na Bahia, 81,6% fora de Salvador. No estado de São Paulo, cerca de 64,2% dos empreendimentos estão fora do município da capital.
"O objetivo não é entregar uma lista única de obras para todas as áreas da empresa. A mesma base pode alimentar estratégias diferentes: encaminhar pequenas obras residenciais ao varejo, direcionar incorporações e projetos corporativos à engenharia e mapear as empresas privadas responsáveis pela execução de obras públicas", detalha o fundador.
Segundo uma comparação interna realizada pela companhia, o volume identificado foi cerca de 26 vezes maior do que o observado nas soluções comerciais comparáveis.
O panorama executivo da Construção Civil do 1º semestre de 2026 apresenta os rankings por estado e cidade, distribuição das movimentações construtivas por tipologia, sistema construtivo e porte, além de cruzamentos voltados à identificação de oportunidades. O material está disponível gratuitamente mediante cadastro na página oficial do estudo.
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