
Desde a Copa do Mundo de 2010, o projeto Previsão Esportiva , desenvolvido por pesquisadores da USP e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), utiliza modelos estatísticos para estimar resultados e quantificar as chances das seleções. Agora, o projeto também abre seu algoritmo de simulação ao público pela primeira vez e permite que qualquer pessoa rode sua própria Copa, altere o peso das variáveis, modifique seleções e critérios de cálculo e acompanhe, em tempo real, como as probabilidades são afetadas. “É a ciência por trás das previsões na mão de quem quiser explorar”, afirmam os coordenadores do projeto. Segundo eles, o modelo foi desenvolvido com finalidade informativa e educacional, sem qualquer vínculo com casas de apostas. Confira no site do projeto .
O Previsão Esportiva é uma iniciativa de pesquisa e divulgação científica voltada à análise probabilística do futebol. Além de USP e UFBA, reúne especialistas de outras instituições brasileiras e estrangeiras, entre elas a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e a Neoma Business School, em torno de uma proposta simples: tratar a Copa do Mundo como um problema estatístico. A cada edição do torneio, os pesquisadores desenvolvem modelos matemáticos capazes de simular milhares de cenários para estimar as chances de cada seleção avançar de fase e conquistar o título.
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No site, é possível encontrar o Previsões Copa 2026 , com as probabilidades de cada seleção avançar de fase e conquistar o título, além das estimativas para os confrontos da primeira fase, segundo os modelos estatísticos do projeto; o Bolão Copa 2026 , um dos simuladores de chaveamento mais completos disponíveis atualmente — quem participa do bolão contribui diretamente para as pesquisas da equipe, criando uma base de dados que alimenta os modelos bayesianos; e o Simulador interativo, a grande novidade desta edição, que traz o algoritmo aberto: é possível replicar as simulações do projeto ou criar as próprias, escolhendo variáveis, pesos e parâmetros, e acompanhar as probabilidades em cada cenário.
Para dar início às previsões, a equipe fez um milhão de simulações, antes da bola rolar. No dia 11 de junho, data da estreia da Copa do Mundo de 2026, alguns resultados são esperados e outros surpreendem. Há também informações importantes como o mata-mata dos 16-avos ou se é melhor ficar em primeiro ou segundo lugar antes das finais.
Entre as principais previsões, a simulação enxergou que essa Copa é de seis candidatos, com a Espanha (15,9%) na frente, seguida pela França (14,8%), candidatas da final, e logo atrás um quarteto: Inglaterra, Portugal, Brasil e Argentina. Segundo os dados, o pior pesadelo do Brasil é cair no 16-avos enfrentando a Holanda (a seleção aparece em 31% das simulações), mas se passar às semifinais, sua chance de chegar à final sobe para 55,6%.

Para Francisco Louzada Neto, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos e coordenador do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), a plataforma é um laboratório vivo. Segundo ele, que é idealizador e um dos coordenadores do projeto, “no futebol, o aprendizado é intuitivo, o que a torna uma ferramenta pedagógica valiosa”.
No Ensino Médio, por exemplo, ela permite que os alunos saiam da teoria abstrata e vejam a Estatística e a Probabilidade na prática, destaca o professor. “O conhecimento sai do livro e ganha vida: em vez de apenas somar frações, o aluno entende o que é um evento raro, a famosa ‘zebra’, e como as chances de título mudam a cada fase. Eles aprendem conceitos como Eventos Independentes (por exemplo, cada jogo é um novo desafio) e Probabilidade Condicional (por exemplo, o que acontece com a chance de título se perdermos um jogador importante?)”, exemplifica.
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Também, no Ensino Superior, o projeto é uma porta de entrada para temas complexos como Cadeias de Markov, Inferência Bayesiana e Simulações de Monte Carlo, enumera Louzada. Os estudantes entendem como modelos estatísticos e de ciência de dados “aprendem” com novas informações e como a computação de alto desempenho é usada para simular milhões de cenários em segundos, frisa.
“Além da matemática, focamos no pensamento crítico. A plataforma ajuda a diferenciar uma aposta (sorte) de uma estimativa científica (risco), combatendo a desinformação e mostrando como a estatística e a ciência de dados estão presentes em todas as decisões modernas, do esporte à economia. É a oportunidade perfeita para conectarmos cidadania e ciência”, informa.
“O balanço é muito positivo e, acima de tudo, de constante evolução”, diz o professor. “Se olharmos para trás, o Previsão Esportiva nasceu de uma inquietação acadêmica e se transformou em uma ferramenta de divulgação interessante, uma ponte real entre a universidade e a sociedade”, lembra, contando que saíram de um modelo que era quase um “mapa de papel” em 2010 para uma estrutura que hoje funciona como um “GPS de alta precisão”.
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O maior sucesso, como ele diz, não é apenas estimar quem levanta a taça, mas sim democratizar a ciência. “Ver que hoje conseguimos abrir nosso algoritmo para que qualquer torcedor possa ‘pilotar’ as simulações no site é a prova de que estamos cumprindo nossa missão: mostrar que a estatística e a ciência de dados não são apenas uma ‘caixa-preta’, mas ferramentas importantes para entender o mundo (no nosso caso, do futebol) com muito mais clareza, e que os números também têm paixão”.
Outro professor do ICMC que participa do projeto desde sua criação, Adriano Kamimura Suzuki destaca a evolução das metodologias estatísticas, o aumento da disponibilidade de dados e o crescimento do interesse do público por análises quantitativas no esporte. “Além de fornecer previsões para grandes competições, o projeto tem contribuído para divulgar a Estatística e a Ciência de Dados de forma acessível, mostrando como essas áreas podem ser utilizadas para compreender fenômenos complexos e apoiar a tomada de decisões baseada em dados”, explica.
Suzuki reforça que as previsões esportivas não são baseadas em opiniões ou palpites. “As previsões são obtidas por meio de modelos estatísticos desenvolvidos a partir de informações sobre o desempenho das seleções, como resultados de partidas, força dos adversários e histórico recente. Com esses modelos, são realizadas milhares de simulações computacionais do torneio, permitindo estimar as probabilidades de cada seleção avançar em cada fase ou conquistar o título. Trata-se de uma aplicação prática da Estatística e da Ciência de Dados para quantificar incertezas e gerar previsões fundamentadas em dados”, explica.

“O projeto nasceu a partir da publicação de um artigo científico sobre metodologias para quantificar as incertezas do torneio, em 2009, sobre a Copa do Mundo de 2006”, conta Ricardo Rocha, professor da UFBA e um dos coordenadores do projeto. Segundo ele, o principal objetivo é a divulgação científica: “usar um tema de forte interesse popular para mostrar como os métodos estatísticos desenvolvidos na universidade se aplicam na vida real de forma acessível”, destaca.
Desde essa época, diz, sempre que chega a Copa revivem o projeto. “A estatística esportiva evidencia que, em uma Copa do Mundo, o favoritismo concede apenas uma probabilidade ligeiramente maior de vitória, mas não garante o título devido à alta aleatoriedade do futebol”, explica, relatando um exemplo histórico do projeto, que em 2018, quando a Alemanha era a grande favorita, foi eliminada na primeira fase, cenário que o modelo estatístico já apontava com 10% de chance de acontecer.
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Para Rocha, o modelo oferece uma oportunidade didática muito grande de trazer essa linha interpretativa dos números já que esse é um evento em que as convicções das pessoas se confundem muito com a realidade. Ele aponta que os números mais recentes mostram que a adição das 16 novas equipes ao torneio (passando de 32 para 48) altera muito pouco a corrida pelo título. “Somadas, essas novas seleções têm apenas cerca de 0,5% de probabilidade de serem campeãs”, afirma, explicando que elas não representam um risco real às equipes tradicionais, mas cumprem o papel fundamental de tornar a Copa do Mundo mais global e inclusiva.
“Esses são os tipos dos inúmeros insights que podemos obter sobre a competição”, declara. Além disso, o professor lembra que os modelos também são capazes de calcular as frequências e probabilidades de uma seleção avançar de fase, mapear as possibilidades de cruzamentos de jogos e antecipar os possíveis adversários do Brasil ao longo do caminho.
Cada seleção recebe um índice de força calibrado contra os grandes mercados globais de previsão. A partir dele, é simulado o torneio inteiro — grupos, mata-mata e final —, com um modelo de gols Poisson (Dixon-Coles). O projeto rodou a Copa do Mundo de 2026 um milhão de vezes na véspera da estreia e as histórias e os números que saíram de dentro do modelo estão descritos abaixo em Rumo ao Hexa .
Em cada uma delas, 48 seleções disputaram do primeiro jogo da fase de grupos até a bola parar na final. Quando somaram tudo, um retrato nítido apareceu: a taça de 2026 é disputadíssima, a Europa larga na frente — e o Brasil aparece logo ali, à espreita, como o melhor dos não-europeus. Esta é a leitura, número por número, do que o modelo enxergou no retrato do início da Copa, simulado em 11 de junho, antes de a bola rolar.
Nem a favorita chega a 1 em cada 6 chances de título. A Espanha assumiu a ponta com 15,9%, com a França colada (14,8%) — e, logo atrás da dupla, um quarteto embolado: Inglaterra, Portugal, Brasil (5º, 8,3%) e Argentina, separados por 2 pontos. É uma Copa de pelo menos seis candidatos reais.
Em relação à jornada da seleção, o Brasil quase não tropeça na largada: classifica em 95% das simulações. O afunilamento vem depois — e ergue a taça em 8,3% das Copas. Porém, há um número que muda o humor de qualquer torcedor: se o Brasil chegar à final, a chance de título salta para 55,6%. Ou seja, passar da semi já vira o jogo a favor. O obstáculo é o caminho até lá.
Não necessariamente. Fechar o grupo em 2º dá a maior chance de título (9,3%) — ligeiramente acima de terminar em 1º (8,5%). O modelo explica: o chaveamento da Copa de 2026 pode colocar o 2º de um grupo mais fraco num caminho mais fácil. Terminar em 3º ainda abre a porta (7,1%), mas em 4º a Copa acaba ali.

De todas as Copas simuladas, o Brasil não classifica em apenas 4,6% delas. O pior pesadelo é cair logo nos 16-avos — acontece em 32% das vezes. Mas a soma de “chegar pelo menos à semi” é expressiva: mais de 1 em cada 4 Copas o Brasil joga uma semifinal.
E quem espera o Brasil em cada fase: o chaveamento já existe — e o modelo calculou os adversários mais prováveis em cada etapa. Nos 16-avos, a Holanda domina (31%). Na final, um duelo europeu: Espanha e França como prováveis adversárias.
Quando o Brasil cai, há um nome que se repete mais que todos: a Holanda — velha conhecida de 1974, 1998 e 2010. Pelo chaveamento oficial, a laranja é o cruzamento mais provável do Brasil já na estreia do mata-mata (31% nos 16-avos) e derruba a Seleção em 1 a cada 7 Copas. França e Japão vêm logo atrás, praticamente empatados.
Das finais mais prováveis entre todas as 995 finais diferentes que apareceram, a mais frequente é Inglaterra x Espanha. A Espanha, aliás, é a “rainha das finais”: aparece em 4 das 5 decisões mais prováveis. A final com Brasil mais provável também é contra ela — a 7ª mais frequente de todas.
Saiba mais no site do Previsão Esportiva neste link .
Confira também as probabilidades de cada seleção avançar de fase e conquistar o título em Previsões Copa 2026 e um dos simuladores de chaveamento mais completos disponíveis atualmente: o Bolão Copa 2026 . Faça a sua prõpria simulação em Simulador interativo.
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