
O comércio eletrônico brasileiro vive uma nova fase com a ascensão do live commerce, modelo que combina entretenimento e vendas em tempo real. O formato, que já movimenta bilhões na Ásia, tem ganhado força no Brasil, especialmente por meio do TikTok Shop, que transformou transmissões ao vivo em um dos principais canais de consumo digital.
Segundo relatório do Banco Santander, divulgado pela CNN Brasil, o TikTok deve movimentar cerca de R$ 39 bilhões no Brasil até 2028, consolidando-se como concorrente direto do e-commerce tradicional.
Dados da própria plataforma mostram que o TikTok cresceu 102 vezes apenas no primeiro ano de operação no país, impulsionado pelo modelo de “Compra por Descoberta”. Hoje, 57,8% dos usuários concluem compras diretamente no TikTok Shop após descobrirem um produto durante a navegação.
Para Gustavo Magalhães, CEO da Dreams Nutrition, especializada em suplementos alimentares, o live commerce deixou de ser nicho e se tornou canal principal. “As vendas ao vivo no TikTok Shop cresceram 143% no pico do fim de ano, e o Brasil já figura como o segundo maior mercado global do formato. É como se a TV de vendas dos anos 90 tivesse renascido no celular, com uma diferença: quem fala é uma pessoa real, não uma propaganda polida”, afirma.
O executivo destaca que o comportamento do consumidor mudou diante da combinação entre entretenimento e compra em tempo real. “O consumidor parou de planejar e começou a descobrir. Antes ia até a marca; hoje a marca aparece no meio do entretenimento dele. No vídeo curto, é compra de impulso, com valor baixo e decisão rápida. Na live é o oposto: a pessoa fica trinta, quarenta minutos, faz perguntas, troca mensagem, vê outros compradores na tela. Aqui o ticket sobe, porque, quando a dúvida vira conversa, a objeção cai”, avalia.
A expansão do live commerce está diretamente ligada à creator economy, em que influenciadores digitais se tornam protagonistas da construção de marcas. De acordo com Gustavo Magalhães, o criador virou o filtro de confiança de uma geração que cansou de propaganda. “Quando uma marca fala dela mesma, o consumidor desconfia. Quando uma pessoa comum, que parece com ela, fala que usa o produto, ela acredita. Não é só sobre aparecer bem na câmera, é sobre ter rotina parecida com a da audiência”, afirma.
Nesse cenário, a Dreams Nutrition tem apostado em uma estratégia baseada em comunidade. “Atualmente contamos com mais de mil mulheres criando conteúdo da marca, com produtos desenhados para serem descobertos e formatos fora da cápsula tradicional, fáceis de mostrar e de incluir na rotina. O resultado são milhares de pedidos por live e uma marca que cresce sem precisar de anúncio gigante”, ressalta.
Gustavo Magalhães explica que a funcionalidade do TikTok está na combinação entre algoritmo e experiência integrada, em que a plataforma premia o bom conteúdo e não apenas o criador famoso. “Uma criadora com 4 mil seguidores que fala de um problema real bate o influenciador com um milhão. Conteúdo bom ganha, e a venda vai junto. Além disso, a compra acontece dentro do próprio app, sem fricção”, detalha.
Essa lógica tem transformado o setor de suplementos e outras categorias. Moda, beleza e cuidados pessoais também avançam no modelo, aproveitando a interação em tempo real para quebrar objeções que antes travavam a compra online.
O CEO projeta que, nos próximos anos, o live commerce deve se consolidar como canal padrão de vendas em diversas áreas. “O motivo é simples: na live, a conversa em tempo real quebra objeções que nenhum site quebra. Toda dúvida que vira resposta na hora se transforma em venda. A relação marca-criador deve se profissionalizar, e as empresas que tratarem criadores como sócios, e não apenas como mídia paga, devem crescer ainda mais”, conclui.
Para saber mais, basta acessar: https://dreamsnutrition.com.br/
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