
O projeto “O Plano B de Franca: Verdugo nos Bairros” promoveu a circulação do espetáculo “Verdugo”, uma livre adaptação da obra da escritora Hilda Hilst, em todas as regiões de Franca no mês de março. Com apresentações gratuitas, a iniciativa aproximou o público da produção teatral contemporânea local, especialmente em territórios historicamente afastados dos circuitos culturais.
A circulação foi realizada exclusivamente na cidade, contemplando diferentes regiões e espaços estratégicos da cidade: a escola PEI Professor Sergio Leça Teixeira (sul), no dia 4 de março; a UNESP (região norte), no dia 11; a escola PEI Professor Michel Haber (leste), no dia 25; a Escola Estadual Professor João Marciano de Almeida (centro), no dia 26; e o Instituto Praxis IPRA (oeste), no dia 29. Cada apresentação foi adaptada às especificidades estruturais e sociais de cada território, sem abrir mão das condições mínimas necessárias para a integridade estética e dramatúrgica da obra.
Todas as apresentações foram gratuitas e seguidas por bate-papos entre o elenco e público. “Esses encontros ampliaram a experiência para além da cena, promovendo espaços de escuta, reflexão e debate. Nas escolas, percebemos a participação ativa de estudantes e professores, que levantaram discussões sobre sociedade, cidadania e os dilemas propostos pela obra”, comemorou o diretor da peça, Rafael Bougleux. “Em diversos casos, os desdobramentos seguiram para dentro das salas de aula, gerando atividades pedagógicas a partir da experiência teatral”.
A montagem, desenvolvida pelo Grupo Plano B, parte do texto original de Hilst mas o expande por meio de uma encenação que dialoga diretamente com a realidade brasileira recente. Em cena, um carrasco incumbido de executar um homem condenado por pensar diferente do sistema enfrenta um dilema ético radical: cumprir sua função e perder a consciência ou recusá-la e perder sua identidade. A narrativa tensiona valores como justiça, moral e fé, deslocando o conflito para os ambientes familiar e coletivo.
Mais do que reconstituir a fábula, o espetáculo constrói uma experiência estética baseada no atrito. A encenação articula teatro, dança, música ao vivo e artes visuais, rompendo com a linearidade narrativa. O resultado é uma obra que não busca a catarse, mas o distanciamento crítico, colocando o espectador diante de dilemas sem respostas fáceis.
“A repercussão do projeto também se evidenciou na demanda por continuidade: escolas visitadas e outras instituições manifestaram interesse em receber o espetáculo ou em retomar a atividade, visando a alcançar um número ainda maior de estudantes e membros da comunidade escolar. O retorno aponta para a potência do teatro como ferramenta de mediação crítica e formação cidadã”, finalizou Bougleux.
Como desdobramento desse percurso, o projeto se expande com a realização do I Fórum de Teatro e Pesquisa Plano B nos próximos dias 3 e 4 deste mês, reunindo oficinas formativas e uma palestra aberta ao público. A ação se propõe a compartilhar metodologias de criação desenvolvidas pelo grupo teatral, consolidando o projeto como uma plataforma que articula circulação, formação e pensamento crítico.
O projeto conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Franca, através do programa Bolsa Cultura 2025.

Escola Estadual Professor João Marciano de Almeida

Escola PEI Professor Michel Haber
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