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Mudança no mercado leva SC à Bienal de Arquitetura

Levantamento aponta maior peso da qualidade de vida na decisão por compra de imóveis e ajuda a explicar nova produção arquitetônica de SC; estado b...

27/03/2026 às 18h31
Por: Redação Fonte: Agência Dino
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Jeferson Branco/Divulgação
Jeferson Branco/Divulgação

A forma como os brasileiros escolhem onde morar está em transformação. Qualidade de vida, arquitetura e atributos de projeto passaram a ter mais peso do que o preço na decisão de compra de imóveis. É o que aponta um levantamento recente da consultoria DataStore, realizado sob encomenda, que identificou uma demanda crescente por empreendimentos com soluções sustentáveis, integração com a paisagem e foco na experiência urbana.

No litoral norte de Santa Catarina, esse movimento já se mostra consolidado. Segundo o estudo, realizado em Itajaí, Balneário Camboriú e Camboriú, mais de 60% dos entrevistados que pretendem adquirir um imóvel nos próximos dois anos afirmam valorizar empreendimentos com soluções ambientais e certificações, associando esses atributos à valorização patrimonial e à segurança do investimento. 

Esse cenário ajuda a explicar o reposicionamento de Santa Catarina no campo da arquitetura contemporânea. Historicamente deslocado do eixo de maior visibilidade nacional, o estado passa a ganhar projeção com uma produção que dialoga com novas demandas urbanas e modelos de morar.

O movimento será apresentado na primeira edição da Bienal de Arquitetura Brasileira, realizada entre 25 de março e 30 de abril no Parque Ibirapuera. Santa Catarina participa com um pavilhão próprio, assinado pelo arquiteto Jeferson Branco, que integra o Pavilhão Brasil, espaço dedicado à representação dos 27 estados.

Com curadoria exclusivamente catarinense, o espaço reúne cerca de 45 designers e 25 artistas, apresentando um panorama da produção contemporânea do estado. Entre os participantes estão o designer Jader Almeida e a artista Lilia Trisotto, além de estúdios e iniciativas da nova geração do design brasileiro.

Conceito e prática

O projeto expográfico foi concebido como uma espécie de casa contemporânea aberta ao público, organizada em planta fluida e sem divisões rígidas. A proposta permite uma visitação em 360 graus, estimulando o visitante a circular livremente entre ambientes como living, cozinha, suíte e home office, que funcionam como suportes narrativos para apresentar projetos, objetos e iniciativas criativas do estado.

No centro do espaço está um cubo expositivo que organiza a experiência do visitante. Revestido com obras do artista catarinense Walmor Corrêa, que retratam a flora da Mata Atlântica, baseado na pesquisa e catalogação das bromélias encabeçadas pelo padre e botânico de Itajaí, Raulino Reitz. O volume simboliza a relação profunda entre o território catarinense e sua paisagem natural. Ao redor desse núcleo, o restante do pavilhão se desdobra como um campo aberto de encontros entre arquitetura, design, arte e indústria.

"A intenção da curadoria foi revelar a diversidade de influências culturais que formam Santa Catarina, da relação com a Mata Atlântica ao dinamismo industrial, passando pela produção artística e pelo pensamento arquitetônico contemporâneo", explica o arquiteto Jeferson Branco. "O Estado sempre teve uma produção criativa muito potente. O que estamos fazendo aqui é colocar essa produção em diálogo com o Brasil, mostrando que o Estado também está ajudando a pensar o futuro das cidades."

Arquitetura, mercado e novos modelos urbanos

A presença de Santa Catarina na Bienal também busca dialogar com mudanças recentes no mercado imobiliário, que passa a incorporar planejamento urbano, sustentabilidade e qualidade de vida como elementos centrais dos projetos.

Entre os exemplos apresentados está o Colinas de Camboriú, bairro planejado no litoral norte catarinense, próximo a Balneário Camboriú. O projeto — que é um dos patrocinadores do pavilhão de SC — foi concebido com base na integração entre moradia, serviços, áreas verdes e espaços públicos.

"Hoje existe uma demanda mais qualificada, que valoriza não só o imóvel, mas o entorno, a experiência urbana e a relação com a paisagem", afirma Luian Silvestre, sócia do projeto. "Isso muda a forma como os empreendimentos são pensados, desde o planejamento até a execução. Hoje temos um Valor Geral de Vendas estimado em R$ 10 bilhões, o que reflete essa busca constante para nos diferenciarmos por atributos de arquitetura e experiência urbana."

A incorporadora FHaus, também patrocinadora do pavilhão, atua no desenvolvimento de empreendimentos com foco em arquitetura e design. "A arquitetura passa a ser entendida como parte central da experiência de morar, e não apenas como estética ou produto final", afirma Clécio Fonseca, sócio da FHaus. "Apoiar a presença de Santa Catarina na Bienal também é uma forma de contribuir para essa discussão sobre o futuro das cidades."

Entre os projetos da empresa está o Athene Garden, assinado pelo arquiteto Leonardo Zanatta, responsável também pelo projeto expográfico da Bienal.

Fotos do projeto podem ser conferidas clicando aqui.

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