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 Janeiro Branco: saúde mental exige cuidado contínuo, alerta psicóloga

Especialista da Hapvida aponta métodos para prevenir a ansiedade e a depressão

21/01/2026 às 10h24 Atualizada em 21/01/2026 às 10h35
Por: Redação
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 Janeiro Branco: saúde mental exige cuidado contínuo, alerta psicóloga

O debate sobre saúde mental costuma ganhar ainda mais visibilidade no primeiro mês do ano, impulsionado pela campanha Janeiro Branco. Especialistas alertam, no entanto, que o cuidado emocional não pode se limitar a um único período. Dados divulgados em 2025 pela Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que mais de um bilhão de pessoas em todo o mundo vive com algum tipo de transtorno mental, como ansiedade e depressão, cenário que provoca impactos humanos e econômicos significativos. No Brasil, o Ministério da Saúde anunciou o início da primeira Pesquisa Nacional de Saúde Mental, que irá mapear a realidade da população adulta e ampliar a compreensão sobre o tema no país.

Para a psicóloga da Hapvida, Cristiane Viana, falar de saúde mental apenas de forma pontual passa uma mensagem equivocada sobre um processo que é contínuo. "Sofrimento emocional não escolhe mês para aparecer. Ele se constrói no dia a dia, nas relações, no trabalho, no excesso de cobranças e na falta de espaços de escuta. Quando o cuidado fica restrito a janeiro, cria-se a ideia de que saúde mental é algo pontual, quando, na verdade, é um processo contínuo, assim como cuidar do corpo, da alimentação ou do sono", afirma.

Na prática clínica, segundo a especialista, a busca tardia por ajuda ainda é comum. Muitas pessoas só procuram apoio quando o quadro já está agravado e o sofrimento começa a comprometer o trabalho, os vínculos e a saúde física. "Quando o cuidado faz parte da rotina, é possível prevenir agravamentos, ajustar comportamentos e lidar melhor com as emoções antes que elas se transformem em adoecimento", explica.

Desafios atuais

Entre os principais desafios atuais estão comportamentos associados à vida moderna, como excesso de estímulos, dificuldade de descanso real, autocobrança constante, relações superficiais e a ideia de que é preciso estar sempre produtivo. Esse contexto favorece o surgimento de sinais de sofrimento emocional, que costumam ser ignorados ou naturalizados, como irritabilidade frequente, cansaço emocional persistente, isolamento social, perda de interesse por atividades antes prazerosas e dificuldade de concentração.

"Muitas pessoas continuam funcionando, trabalhando e cumprindo tarefas, mas por dentro estão exaustas, vazias ou desconectadas de si mesmas. Esse funcionamento automático mascara o sofrimento por muito tempo", destaca Cristiane.

A psicóloga alerta que mudanças persistentes no comportamento, nos pensamentos e no corpo indicam que é hora de buscar ajuda profissional. Entre os sinais, estão alterações no sono e no apetite, tensão constante, dores sem causa médica, crises de ansiedade, além de pensamentos recorrentes de culpa excessiva, desesperança, baixa autoestima e sensação de incapacidade.

"Procurar ajuda não é sinal de fraqueza, mas de cuidado e responsabilidade consigo mesmo. A psicoterapia não deve ser vista apenas como recurso para momentos extremos, mas também como espaço preventivo, de autoconhecimento e organização emocional", conclui.

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