Artigos Dom Paulo Beloto
Estes são os que lavaram e alvejaram suas túnicas no sangue do Cordeiro“ (Ap 7,14)
Em reflexão sobre a solenidade de Todos os Santos, bispo aborda a intercessão, a vida em Cristo e as bem-aventuranças como referências para os fiéis
31/10/2026 11h19
Por: Redação

Os "santos marcaram a espiritualidade e o estilo de vida de nossas Igrejas. Suas vidas são lugares privilegiados de encontro com Jesus Cristo"

(DAp, 273). Celebramos os méritos desses heróis da fé nas datas específicas, e numa só festa solene, pedindo por eles a misericórdia divina. Deus nos oferece por essas testemunhas intercessão, exemplos e a comunhão. Com essa assistência, também nós podemos correr, com perseverança e coragem, no certame que nos é proposto e receber com eles, por Jesus Cristo, a coroa imperecível da glória.

O único mediador entre Deus e a humanidade é o homem Cristo Jesus, pois Ele se entregou para nos resgatar (cf. 1 Tm 2,5), sendo o nosso caminho, a verdade e a vida, que nos leva ao Pai (cf. Jo 14,6). Ele é o nosso Senhor e Salvador, modelo de santidade e de realização definitiva. 
O Batismo nos insere no corpo de Cristo e nos confere a santidade. Por isso, ser santo é viver a dignidade deste sacramento, é acolher a nossa filiação divina. 

Jesus Cristo é a cabeça de um corpo, do qual somos os membros. Há uma comunhão de vida e de interesse entre Jesus Cristo e os cristãos. Há também uma comunhão de cada cristão com os méritos de Cristo e o tesouro da Igreja, como há uma comunhão entre todos aqueles que comungam com o tesouro dos méritos de Cristo, comunicado pelos sacramentos. Há uma solidariedade entre os fiéis de Cristo uns com os outros e com os demais seres humanos. Todos aqueles que vivem em comunhão com Jesus Cristo, podem rezar pelos seres humanos. 

A comunhão entre os membros de Cristo não é interrompida com a morte. Entre os peregrinos na terra e os consumados no céu há vínculos de solidariedade fraterna. Os que deixam o corpo, vão "morar junto do Senhor" (2 Cor 5,8), são os santos e santas, aqueles que "lavaram e alvejaram as suas túnicas no sangue do Cordeiro" (Ap 7,14). Como morreram na graça e na amizade de Deus, totalmente purificados, "vivem para sempre com Cristo", "semelhantes a Deus" (CIgC, 1023), podendo interceder por nós, pois os laços de amizade e compromissos permanecem. Deus, autor da comunhão dos fiéis, faz com que os que estão no céu conheçam as nossas preces e orem por nós. 

O Senhor é a única fonte de todas as graças. Quando pedimos aos santos e santas, acreditamos que os mesmos intercedam por nós, pois estão em comunhão com Ele. 

Adoramos ao Pai e ao Filho, na unidade do Espírito Santo. Cultuamos os santos e santas em função de Cristo. 

Além da necessária intercessão que nos ajuda, os santos e santas são espelhos onde devemos mirar, modelos de fé, esperança e caridade. 
A santidade é dom de Deus, mas Ele conta com a nossa colaboração. As bem-aventuranças (cf. Mt 5,1-12) são indicações no caminho de santidade e da verdadeira felicidade, "o bilhete de identidade do cristão", segundo o saudoso Papa Francisco. 

"Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus" (Mt 5,3). Jesus nos ensina a pobreza no espírito, a dependência total de Deus, como atitude fundamental no seguimento e caminho da santidade. 

Concedei-nos, Deus eterno e todo-poderoso,  pela intercessão de todos os santos e santas, a abundância da vossa misericórdia. 

Dom Paulo Roberto Beloto
Bispo de Franca