Artigos Dom Paulo Beloto
“Eu vos amo, ó Senhor! Sois minha força, minha rocha, meu refúgio e salvador!” (Sl 17,2.3)
Em reflexão sobre o Evangelho de Mateus, bispo ressalta que a fé deve se traduzir em caridade, oração e cuidado com os mais vulneráveis
24/10/2026 08h20
Por: Redação

Um fariseu perguntou a Jesus: " Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?" (Mt 22,35). Citando duas passagens da Torá (cf. Dt 6,5 e Lv 19,18), ele sintetizou tudo no mandamento do amor, primeiramente a Deus, e depois ao próximo.  "Toda a Lei e os profetas dependem desses dois mandamentos" (Mt 22,40). A relação com Deus e com os irmãos e irmãs  - de modo preferencial os mais vulneráveis, pois o Senhor misericordioso se identifica com eles (cf. Ex 22,20-26), não se opõe nem se separa, e tem o amor teologal como referência. Quem ama cumpre a vontade do Pai e assume a sua vocação fundamental. 

Antes de nos exortar no amor a Deus acima de tudo e ao próprio como a nós mesmos, as Sagradas Escrituras nos revelam que o Senhor nos amou primeiro e gratuitamente, como Criador, dando-nos a vida, sua dignidade e os meios de sobrevivência. Fomos criados à sua imagem e semelhança (cf. Gn 1,26.27). Deus nos amou como Filho Redentor (cf. Rm 3,24) e como Espírito santificador (cf. Rm 5,5).

"De tal modo Deus amou o mundo, que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna" (Jo 3,16). "Deus, contudo, prova o seu amor para conosco, pelo fato de que Cristo morreu por nós, quando ainda éramos pecadores" (Rm 5,8).

É esse amor que encantou e seduziu os santos e santas, como sentido da vida, motivo e a razão do nosso peregrinar, como uma santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face, que só queria viver e morrer de amor, pois só ele conta. De fato, é do amor de Deus que vivemos e é para esse amor que vivemos,  e assim nos realizamos. 

Não é fácil o amor. Alguns entraves dificultam a sua prática. Como superá-los? Contando com a graça de Deus, acreditando que Ele nos ama, acolhendo com abertura, sabedoria,  discernimento, responsabilidade, alegria, gratidão e humildade essa experiência. Buscando os meios humanos possíveis que contribuem para seguir nesse caminho. Deixando-nos iluminar e conduzir pelo Espírito Santo. 

O alimento para a prática do amor deve ser buscado na oração pessoal e comunitária, nos exercícios de piedade, na escuta atenta e vivência da Palavra de Deus, nas celebrações dos sacramentos, de modo particular, na Eucaristia e na  Penitência e Reconciliação. 

Que o Espírito Santo nos ajude a sermos perseverantes, firmes e fervorosos na fé, na esperança e na caridade,  imitando o Senhor Jesus, e entregando-nos ao serviço de Deus e dos irmãos e irmãs, evitando o mal (cf. 1 Ts 1,5-10).

Rezemos pelo nosso País, que percorra os caminhos da justiça, da verdade e da paz.


Dom Paulo Roberto Beloto
Bispo de Franca