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Médicos brasileiros ampliam busca por carreira nos EUA
Busca por formação e carreira nos Estados Unidos cresce e envolve fatores como qualidade de vida, remuneração e perspectivas profissionais
19/10/2026 10h35
Por: Redação Fonte: Agência Dino

A decisão de buscar uma carreira médica nos Estados Unidos deixou de estar associada apenas à possibilidade de aumentar a remuneração. Para um número crescente de profissionais brasileiros, a mudança envolve também perspectivas de desenvolvimento, acesso a estruturas de formação, reconhecimento profissional e qualidade de vida. O movimento é acompanhado por empresas especializadas em orientar médicos brasileiros ao longo do processo de preparação para atuar no país.

Dados do National Resident Matching Program (NRMP), responsável pelo principal processo de seleção para residências médicas nos Estados Unidos, mostram que a presença de médicos formados fora do país permanece relevante no sistema americano. Em 2026, 11.944 candidatos classificados como non-U.S. citizen international medical graduates participaram ativamente do Match, alta de 51,9% em relação a 2022. O grupo teve uma taxa de ingresso de 56,4% em programas de residência médica de primeiro ano.

O dado reúne profissionais formados em diferentes países e, portanto, não representa exclusivamente brasileiros. Ainda assim, ajuda a dimensionar um movimento internacional de médicos que buscam construir a carreira nos Estados Unidos. Para brasileiros interessados nesse caminho, a preparação envolve etapas como exames, certificações, experiência clínica e participação no processo de residência. Por isso, a decisão exige planejamento de médio e longo prazo.

No Brasil, questões relacionadas à jornada e à organização do trabalho também entram nessa equação. A Demografia Médica no Brasil 2025 aponta que a residência médica é realizada em regime especial de treinamento em serviço de até 60 horas semanais. Estudos sobre a rotina profissional também identificam jornadas superiores a 60 horas entre uma parcela dos médicos brasileiros.

Segundo a Médico na América, o aumento da procura tem sido percebido na própria evolução dos alunos atendidos pela organização. Entre 2023 e 2025, a base de alunos passou de 370 para 826, representando crescimento de 123% — e em 2026 a escola ultrapassou a marca de 1.000 médicos e estudantes de medicina em seus programas. Em 2026, um terço dos médicos brasileiros que revalidaram seus diplomas nos Estados Unidos eram alunos da Escola Médico na América.

Para o Dr. Leonardo Cruz, fundador da Médico na América, a mudança de perfil está relacionada à forma como os profissionais passaram a avaliar a própria trajetória.

"Durante muito tempo, a decisão de buscar os Estados Unidos era vista como uma saída individual, quase uma aposta. Quando eu fiz esse caminho, não havia método, referência clara de etapas nem uma comunidade de quem já tinha passado por isso. Cada médico descobria o processo por conta própria. Hoje existe muito mais informação e preparação estruturada, e isso mudou o perfil de quem decide tentar. O médico passou a olhar para o próprio caminho com planejamento: avalia a estrutura de formação, as perspectivas no Brasil e fora dele e entende que é uma decisão de médio e longo prazo, que exige preparo e etapas bem definidas", afirma.

Quatro fatores influenciam a decisão

Um dos elementos é a competitividade do mercado brasileiro. O aumento do número de médicos não significa, necessariamente, crescimento proporcional das oportunidades de carreira, reconhecimento e remuneração. A Demografia Médica 2025 projeta que o Brasil passe de 635.706 médicos em 2025 para mais de 1,15 milhão em 2035, enquanto a distribuição e as condições de trabalho permanecem desiguais entre regiões e setores.

Outro fator é a qualidade de vida. A rotina médica brasileira pode envolver múltiplos vínculos, plantões e jornadas extensas. Em levantamento sobre médicos paulistas, por exemplo, 75,5% dos profissionais trabalhavam mais de 40 horas por semana, considerando a jornada total, e 48,5% mantinham três ou mais vínculos.

A perspectiva de crescimento profissional também pesa. Nos Estados Unidos, o caminho para a prática médica passa por um processo estruturado de certificação e formação. Para os IMGs, a ECFMG considera médico formado internacionalmente aquele que obteve o diploma de medicina fora dos Estados Unidos, independentemente da cidadania.

Por fim, está a remuneração, embora ela não seja o único fator. A comparação, quando feita, precisa considerar especialidade, experiência, região, carga horária e modelo de contratação, evitando transformar valores individuais em uma promessa de renda.

Da decisão ao planejamento

É nesse processo que a Médico na América busca se posicionar, segundo informações da própria organização: não apenas como uma fonte de informação sobre os Estados Unidos, mas como uma estrutura de preparação para médicos que decidiram avaliar a possibilidade de construir uma carreira no país.

A metodologia apresentada pela instituição reúne etapas relacionadas ao diagnóstico, à preparação para exames como USMLE, à experiência clínica e à participação no Match. O objetivo é transformar uma decisão que pode parecer distante em um projeto dividido em etapas, com acompanhamento ao longo da preparação.

O crescimento dessa procura também acompanha uma mudança na maneira como médicos brasileiros enxergam a mobilidade profissional. Mais do que uma reação pontual a um resultado de Match, a busca pelos Estados Unidos passa a ser considerada por alguns profissionais como uma possibilidade concreta de planejamento de carreira.