O profeta Isaías dramatizou a canção de amor de um amigo zeloso que possuía uma vinha. O poema fala das decepções que ele teve com a sua amada, pois tudo o que era possível fazer para que ela produzisse bons frutos, foi feito: terreno fértil e preparado, cercado e limpo das pedras; plantas escolhidas; com uma torre no centro para a sua proteção; até um lagar para pisar as uvas e produzir um bom vinho foi construído. O resultado da colheita era quase certo. Mas o que a vinha produziu foi decepcionante: uvas selvagens. O camponês ficou frustrado com o insucesso. De quem foi a culpa? O que ainda poderia ter sido feito em favor de sua vinha? Por que os resultados negativos? O que agora fazer com ela? Sua cerca será desmanchada e ela será devastada e pisoteada pelos animais; seu muro, destruído; ficará inculta e selvagem, não será mais podada nem lavrada; espinhos e sarças tomarão conta dela; nem chuva terá.
"A vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e o povo de Judá, sua dileta plantação; eu esperava deles frutos de justiça - e eis injustiça; esperava obras de bondade - e eis iniquidade" (Is 5,7). O desabafo do amigo no final da narrativa é um convite à conversão. As ameaças fazem parte da pedagogia divina que espera uma resposta de amor e de justiça do seu povo.
No Templo de Jerusalém, Jesus contou aos sumos sacerdotes e anciãos do povo a parábola do proprietário de uma vinha que foi plantada, cercada e nela foram construídos um lagar para esmagar as uvas e uma torre de guarda. Estava pronta para produzir frutos. A vinha foi arrendada a vinhateiros, enquanto o dono foi viajar para o estrangeiro. Por ocasião da colheita, os empregados foram receber os frutos, mas tiveram um tratamento inesperado: foram maltratados, espancados e apedrejados, e até mortos pelos vinhateiros. Após duas frustradas tentativas, o dono enviou o próprio filho. A sua sorte foi mais trágica ainda: foi assassinado fora da vinha.
"Quando o dono da vinha voltar, o que fará com esses vinhateiros?" Responderam a Jesus os sumos sacerdotes e os anciãos do povo: "Com certeza mandará matar de modo violento esses perversos e arrendará a vinha a outros vinhateiros, que lhe entregarão os frutos no tempo certo" (Mt 21,41).
O que fazer com lideranças que não produzem frutos de justiça, amor e paz, e ainda rejeitam a pedra angular? O povo de Deus deve ser formado e sustentado por aqueles que acreditam e aceitam Jesus como Senhor e Salvador. Ele é a pedra fundamental do novo povo de Deus. Após a sua morte, a Igreja recebeu a incumbência de cuidar deste povo com zelo, amor e carinho, e de produzir frutos de justiça e paz.
O apóstolo Paulo exortou e encorajou os membros da Igreja de Filipos a se ocuparem de tudo o que for "verdadeiro, respeitável, justo, amável e honroso, tudo o que é virtude", assim estarão em comunhão com o "Deus da paz" (Fl 4,8.9). É preciso superar a ansiedade e a inquietação geradas pelas preocupações da vida. O remédio é a oração e a ação de graças pelas obras de Deus em nós. A gratidão cura as feridas provocadas pelas adversidades.
Confiemos o nosso País e Estado na proteção de Nossa Senhora Aparecida. Que o Espírito Santo nos ilumine e nos ajude a percorrer caminhos de justiça, verdade e paz.
São Francisco de Assis, rogai por nós.
Dom Paulo Roberto Beloto
Bispo da Diocese de Franca