Artigos Dom Paulo Beloto
“Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido”
Bispo reflete sobre a misericórdia de Deus e o ensinamento de Jesus para a vida em comunidade
12/09/2026 08h28 Atualizada há 1 hora
Por: Redação

Mateus 18 narra um discurso de Jesus sobre a vida em comunidade, com vários temas, um deles, a necessidade do perdão. Pedro perguntou, e ao mesmo tempo ensaiou uma resposta, quantas vezes se deve perdoar um irmão que pecou contra nós: "Até sete vezes?", que já é uma boa medida! Jesus foi muito além, e respondeu: "setenta vezes sete" (Mt 18,21.22), 490 vezes. A seguir, contou a história do "credor impiedoso", que revela a dívida que temos para com Deus e sua infinita misericórdia, pois ele perdoa sempre. Por maiores que sejam as nossas dívidas e pecados, para o Senhor, o perdão não tem limites,  é total e contínuo.

"O rancor e a raiva são coisas detestáveis... Perdoa a injustiça cometida por teu próximo: assim, quando orares, teus pecados serão perdoados" (Eclo 27,33; 28,2).

O Senhor perdoa todas as nossas iniquidades e cura todas as nossas doenças. Não age conosco segundo nossos pecados, e não nos retribui segundo nossas iniquidades. "Quanto dista o nascente do poente, tanto afasta para longe nossos crimes" (Sl 102,12).
Jesus é o Cordeiro imolado que tira o pecado do mundo. Ele expiou os nossos pecados, morreu por nós (cf. Rm 4,25; 5,6.8). Somos salvos pelo oferecimento e sacrifício de Cristo na cruz: "Foi ele que nos livrou do poder das trevas, transferindo-nos para o reino do seu Filho amado, no qual temos a redenção, o perdão dos pecados" (Cl 1,13-14).

A Palavra nos ensina e nos incentiva a perdoar sempre, de coração. A razão é que Jesus já perdoou os nossos pecados: "Existia contra nós uma conta a ser paga, mas ele a cancelou, apesar das obrigações legais, e a eliminou, pregando-a na cruz" (Cl 2,14).
Perdoar é um ato de fé e amor, exige a graça de Deus e a oração, por isso é que Jesus nos ensinou a rezar esta experiência: "Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido". Imitamos o próprio Deus que nos perdoa, pois o seu rosto é a misericórdia. Temos uma dívida incalculável com ele, que só a sua compaixão pode saldar. 

Perdoar exige também a vontade, a obediência, a decisão e a humildade. Ser humilde é vencer o fechamento e a mesquinhez diante do outro que errou. Conforme a história contada por Jesus, a dívida de nossos irmãos e irmãs para conosco é irrisória, comparada com a nossa para com Deus. 

Como não podemos pagá-la, a solução é agir também com misericórdia com as pessoas. 
O ato de perdoar destrói o ódio e a vingança, transforma as situações, derruba os muros de inimizades, reconstrói os relacionamentos, traz a harmonia de volta, salva a vida comunitária. O perdão é um agente purificador do nosso coração e dos afetos, desobstruindo a alma de ressentimentos, decepções, raiva e vingança e nos libertando para receber e dar amor, fazendo-nos felizes. 

Jesus perdoa e nos ensina a perdoar e a celebrar a nossa reconciliação. Ele deixou o sacramento da Penitência e da Reconciliação, definido pela Igreja, como sacramento de cura, conferindo o perdão dos pecados, nos reconciliando com Deus, com a Igreja, com os irmãos e irmãs, devolvendo a nossa dignidade perdida. 

"Cristo morreu e ressuscitou exatamente para isto, para ser o Senhor dos mortos e dos vivos" (Rm 14,9). Viver para o Senhor, é viver em vista dele, é viver da sua vida. Ele é o centro, dele recebemos a luz e o Espírito de vida. Só podemos funcionar no Senhor, centralizados nele.

"O Senhor é bondoso, compassivo e carinhoso".

Dom Paulo Roberto Beloto
Bispo da Diocese de Franca