Após à multiplicação dos pães, Jesus "mandou que os discípulos entrassem na barca e seguissem, à sua frente, para o outro lado do mar" (Mt 14,22). Ele despediu as multidões e subiu ao monte para orar a sós, até à noite. Jesus tinha uma profunda e íntima comunhão com o Pai, expressa na sua oração contínua.
A barca no mar, agitada pelas ondas e pelo vento, é uma alusão ao trabalho missionário, que encontra desafios e gera medo e dúvidas nos discípulos. Água, mar e vento simbolizam os perigos e resistências ao projeto de Deus.
Jesus andando sobre o mar apresenta-se como o senhor da situação. Ele tem o poder sobre as forças adversas. Sua presença sustenta a missão: "Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!" (Mt 14,27). Ele cura do medo e protege a vida dos discípulos em meio às dificuldades. É o Emanuel, o Deus conosco. Pedro lembra a comunidade que ainda duvida e tem medo. É salvo por Jesus.
A cena do mar lembra a missão da Igreja e de cada um de nós. Todo trabalho missionário exige confiança, ardor e coragem. Mas os desafios da realidade provocam também dúvidas, medo, fadiga e dificuldades que agitam o barco do nosso coração. Somente o Senhor, que é amor e nos ama, dá plena garantia dessas palavras: "Coragem! Sou eu. Não tenhais medo!"
Fugindo da perseguição do rei Acab e da rainha Jesabel, o profeta Elias foi se refugiar numa gruta. Nessa experiência de crise profunda, Deus se manifestou próximo e íntimo do profeta. Ele está presente no "murmúrio de uma leve brisa" (1 Rs 19,12), com uma serenidade e majestade cativantes. Nesta intimidade mística com o Senhor, Elias encontrou força e coragem para seguir em sua missão.
Paulo sofreu com a rejeição do Evangelho por parte dos judeus, principalmente por aqueles em que Deus mais demonstrou amor e fidelidade. O apóstolo assumiu ser rejeitado por Cristo em favor dos seus irmãos de raça (cf. Rm 9,1-5).
Uma missão tem alegrias e consolações, mas também desafios, dificuldades e renúncias. O que o Senhor nos pede não supera as nossas possibilidades. Ele é sempre uma presença amiga, estende a mão para nos salvar na hora do perigo, nos consola, tranquiliza e encoraja e nos ajuda a fazer a travessia.
A fé e a confiança na graça sustentam a vocação e o seguimento de Jesus Cristo.
Que Deus abençoe os nossos pais e as nossas famílias.
Dom Paulo Roberto Beloto
Bispo de Franca