Economia Negócios
Seis dicas para quem pretende financiar o curso de medicina
Especialista explica o que considerar antes de contratar crédito estudantil
27/07/2026 10h33
Por: Redação Fonte: Agência Dino

Ingressar em uma faculdade de Medicina é o sonho de muitos estudantes brasileiros, mas a realização desse projeto exige planejamento que vai além da preparação para o vestibular. Com uma graduação de seis anos e uma rotina de estudos intensa, organizar antecipadamente a forma de pagamento do curso pode ser decisivo para garantir mais tranquilidade durante a formação.

Para quem não tem acesso ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) ou busca outras possibilidades para custear a graduação, existem alternativas privadas com diferentes formatos, critérios de contratação e prazos de pagamento.

Segundo Kátia Pinto, diretora da Afya, grupo com 32 faculdades de Medicina no país, o primeiro passo é entender que a escolha de um financiamento precisa fazer parte de um planejamento de longo prazo.

"Medicina é uma formação longa e, por isso, a decisão sobre como financiar o curso precisa considerar não apenas a parcela que cabe no orçamento hoje, mas todo o período da graduação e o tempo previsto para a quitação da dívida. É importante conhecer as condições de cada modalidade, comparar cenários e envolver a família nessa decisão", afirma.

A especialista reúne seis orientações para quem pretende cursar Medicina e avalia alternativas de financiamento.

1. Conheça todas as modalidades disponíveis

Atualmente, instituições financeiras, cooperativas de crédito e empresas especializadas oferecem modelos voltados ao ensino superior, inclusive para cursos de Medicina.

Há opções que permitem financiar todo o curso, com prazos de pagamento que podem chegar a 20 anos, como CashMe e Alume. Alternativas como EmCash e Pravaler oferecem financiamento em até 12 anos, enquanto cooperativas de crédito, como o Faça Acontecer, do Sicoob, e o Bradesco também disponibilizam linhas específicas para estudantes de Medicina.

A recomendação é pesquisar quais opções estão disponíveis na instituição de ensino escolhida, já que as condições e a oferta dos programas podem variar de acordo com a faculdade, a unidade e o número de vagas destinado a cada programa.

2. Compare o custo total e não apenas o valor da parcela

Uma parcela menor pode parecer mais confortável no curto prazo, mas não deve ser o único critério de decisão. É fundamental observar a taxa de juros, o prazo total do contrato, a forma de reajuste, eventuais tarifas e o valor final que será pago.

"Antes de contratar, o estudante deve simular diferentes cenários e entender quanto aquele financiamento representará no orçamento familiar. Prazo, juros e condições de pagamento precisam ser analisados em conjunto", orienta Kátia.

3. Entenda quais garantias são exigidas

As exigências para contratação variam entre as modalidades. Algumas linhas pedem um ou mais fiadores e estabelecem critérios de renda mínima. Em outras, o financiamento pode ser contratado com garantia de imóvel, o que tende a permitir prazos mais longos de pagamento e condições diferentes de crédito.

O Pravaler, por exemplo, considera a composição de até dois fiadores e o aluno também pode utilizar a própria renda para compor a proposta, somando-a à renda do(s) garantidor(es), sem solicitar imóvel como garantia. Já o Faça Acontecer, do Sicoob, não exige renda do estudante para análise de crédito nem imóvel como garantia, mas requer avalista. A CashMe trabalha com crédito com garantia de imóvel e prazo de pagamento que pode chegar a 240 meses. A Alume, por sua vez, possui modalidades com e sem imóvel em garantia.

Antes da contratação, vale reunir a família para entender quem poderá participar, seja na composição de renda, como fiador ou por meio da oferta de uma garantia.

4. Avalie se é necessário financiar todo o curso

Nem todo estudante precisa contratar um financiamento para os seis anos de graduação. Dependendo da situação financeira da família, pode fazer sentido financiar parte das mensalidades, um semestre específico ou contratar o crédito em determinado momento da formação.

"A organização financeira precisa acompanhar a realidade de cada família. O estudante deve avaliar se precisa financiar todo o curso ou apenas parte dele. Essa análise pode evitar a contratação de um crédito maior do que o necessário", explica Kátia.

5. Pesquise programas disponíveis na sua região

A localização da faculdade também pode influenciar as opções de financiamento disponíveis. O Banco do Nordeste, por exemplo, oferece o FNE P-Fies para estudantes matriculados em instituições conveniadas dentro da área de atuação do banco.

Nessa modalidade, é possível financiar 100% do valor da mensalidade, conforme as regras do programa.

Por isso, além de pesquisar alternativas nacionais, é importante verificar linhas regionais de crédito e programas disponíveis no estado ou município onde o estudante pretende cursar a graduação.

6. Faça simulações antes de tomar a decisão

Antes de assinar um contrato, a orientação é colocar as possibilidades no papel. Simular diferentes valores de entrada, percentuais de financiamento e prazos de pagamento ajuda a visualizar o impacto da decisão ao longo dos anos.

Também é importante considerar outros custos envolvidos na formação, como moradia, alimentação, transporte, materiais acadêmicos e equipamentos. Em alguns casos, o estudante precisará mudar de cidade, o que deve entrar no planejamento financeiro desde o início.

"O financiamento pode ser uma ferramenta importante para viabilizar o acesso à graduação, mas precisa ser contratado com informação e planejamento. Quanto mais clareza o estudante e a família tiverem sobre as condições do crédito e o orçamento disponível, mais segura será a decisão", conclui Kátia.