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Grupo de Fiscalização Integrada das Águas do Rio Tietê percorre mais de 7,4 km e aplica R$ 14,5 milhões em multas
Iniciativa do Governo de SP, criada no âmbito do Programa IntegraTietê, reúne órgãos estaduais e municipais para ampliar o combate à poluição na bacia
26/06/2026 15h52
Por: Redação Fonte: Secom SP

Criado em 25 de março de 2025 no âmbito do Programa IntegraTietê, o Grupo de Fiscalização Integrada das Águas do Rio Tietê (GFI-Tietê) tem como objetivo ampliar o monitoramento, a fiscalização e o combate às diferentes fontes de poluição ao longo da maior bacia hidrográfica paulista. A iniciativa integra a estratégia do Governo de São Paulo para acelerar a recuperação da qualidade das águas do Rio Tietê por meio de ações articuladas de controle ambiental, proteção dos recursos hídricos e preservação ambiental.

O GFI-Tietê é coordenado pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e conta com a participação de suas vinculadas (Cetesb, SP Águas e Fundação Florestal), além da Polícia Militar Ambiental, Secretaria de Agricultura e Abastecimento, Comitês de Bacias Hidrográficas e prefeituras das seis Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos (UGRHIs) da bacia do Tietê.

Fiscalização integrada e resultados operacionais

Entre os destaques operacionais, a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) realizou 527 fiscalizações, efetuou 1.231 coletas e análises laboratoriais e aplicou 117 penalidades, entre advertências e multas, que somaram R$ 14.094.341,44.

Já a Polícia Militar Ambiental percorreu mais de 7.430 quilômetros pelos trechos navegáveis do rio e cobriu aproximadamente 450 mil hectares de áreas relevantes para a preservação ambiental. Até o momento, foram emitidos 252 Autos de Infração Ambiental (AIAs), com aplicação de aproximadamente R$ 521.011,30 em multas ambientais no âmbito da corporação.

Estrutura integrada e importância da bacia

Os resultados fazem parte do fortalecimento das ações de preservação e recuperação do Rio Tietê e integram uma estratégia mais ampla de recuperação da bacia hidrográfica. A atuação integrada é considerada fundamental para enfrentar desafios complexos e históricos de uma bacia que concentra cerca de 28 milhões de habitantes e aproximadamente 60% da população paulista, além de intensa atividade industrial, agrícola e urbana.

A secretária da Semil, Natália Resende, reforça a importância do rio para o Estado e destaca que as ações dependem de atuação conjunta. “O Rio Tietê é um patrimônio dos paulistas e sua recuperação exige atuação permanente, baseada em planejamento, ciência, investimentos e integração entre diferentes órgãos públicos. O trabalho conjunto desenvolvido pelo GFI-Tietê fortalece a capacidade do Estado de identificar irregularidades, combater fontes de poluição e acelerar a recuperação da qualidade das águas”.

Monitoramento ambiental

A Cetesb desempenha papel estratégico no monitoramento da qualidade das águas, fiscalização ambiental e controle das fontes poluidoras. Nos últimos anos, a Companhia passou por um processo de fortalecimento institucional, com a contratação de 284 novos profissionais e investimentos superiores a R$ 43 milhões em equipamentos, tecnologias e ferramentas de inteligência ambiental. Entre as inovações está a implantação de um sistema pioneiro de monitoramento ambiental baseado em imagens de satélite e inteligência artificial, capaz de acompanhar aproximadamente mil quilômetros de rios e reservatórios paulistas em tempo real.

Os resultados já começam a aparecer. Entre 2024 e 2026, a carga de poluição transportada pelo Rio Tietê foi reduzida em 21%, passando de 219 para 173 toneladas por dia. No mesmo período, 14 dos afluentes monitorados apresentaram melhora da qualidade da água, abrangendo cerca de 70% da área de drenagem acompanhada pela Companhia.

Programa IntegraTietê

Lançado em 2023, o IntegraTietê busca integrar ações de saneamento, recursos hídricos, meio ambiente, drenagem, logística e governança. O programa atua na redução das fontes de poluição, ampliação da coleta e tratamento de esgoto, recuperação ambiental, controle de cheias, preservação das várzeas e fortalecimento da fiscalização ambiental.

Desde o início do programa, o Governo de São Paulo investiu mais de R$ 365,1 milhões em ações de desassoreamento e recuperação do Rio Tietê e seus afluentes. Nesse período, foram retirados 5,96 milhões de metros cúbicos de sedimentos e materiais acumulados nos cursos d’água, o equivalente a 82% da meta estabelecida de 7,2 milhões de metros cúbicos até o final de 2026. Somente em 2025, foram removidos mais de 2,3 milhões de metros cúbicos de sedimentos dos rios Tietê e Pinheiros.

No mais importante braço do Tietê, o Rio Pinheiros, é realizada a retirada de lixo flutuante. Apenas em 2025 foram retiradas 43,9 mil toneladas de resíduos flutuantes, volume 23% superior ao registrado no ano anterior. Para este ano, são esperados resultados ainda maiores. No primeiro trimestre, foram removidas 12,3 mil toneladas de lixo, aumento de 19,4% em comparação ao mesmo período de 2025. Desde 2023, mais de 139 mil toneladas de resíduos foram retiradas do Rio Pinheiros. No mesmo período, os investimentos destinados à limpeza do manancial superaram R$ 218 milhões.

Vale destacar, ainda, que uma das principais frentes do IntegraTietê é a universalização da coleta e do tratamento de esgoto, considerada a medida mais efetiva para reduzir a carga orgânica lançada nos corpos d’água e promover a recuperação da qualidade ambiental do rio. Desde a desestatização, a Sabesp conectou mais de 1,5 milhão de domicílios ao sistema de tratamento de esgoto, beneficiando mais de 3,8 milhões de pessoas. O ritmo atual representa aceleração operacional sem precedentes e supera, em menos de um ano, o volume de conexões realizadas ao longo de anos do programa Novo Rio Pinheiros. Enquanto o programa Novo Rio Pinheiros realizou cerca de 650 mil conexões em três anos e meio, a Sabesp alcançou volume equivalente em aproximadamente dez meses, o que representa um ritmo 4,2 vezes mais rápido.

Restauração ambiental

As ações de recuperação da qualidade ambiental da bacia também incluem iniciativas estruturantes de restauração ecológica e proteção de áreas estratégicas para a segurança hídrica. Desde 2023, o Estado soma mais de 41 mil hectares de áreas compromissadas para recuperação ambiental, dos quais cerca de 10 mil hectares estão localizados em Áreas de Preservação Permanente (APPs), fundamentais para a proteção de nascentes, rios e mananciais.

As intervenções contemplam regiões prioritárias para a gestão dos recursos hídricos, incluindo áreas de mananciais e o entorno das nascentes do rio Tietê, em Salesópolis, onde estão em recuperação cerca de 60,9 hectares, com o plantio de mais de 74 mil mudas de espécies nativas. O Estado também mantém investimentos por meio do Fehidro, que já financiou cerca de R$ 45,9 milhões em projetos de restauração florestal, recuperação de mananciais e proteção de nascentes em diferentes regiões paulistas.

Educação ambiental

Além das frentes de fiscalização e ações estruturantes, a Semil e a Polícia Militar Ambiental intensificaram ações de educação ambiental em escolas, com foco na sensibilização de estudantes e comunidades sobre a preservação dos recursos hídricos e os impactos das atividades humanas. Até o momento, foram realizadas mais de 70 ações, alcançando mais de 9 mil pessoas em diferentes regiões do estado, com ênfase nos territórios do entorno dos afluentes do Rio Tietê.