Jesus constituiu os doze e os enviou em missão, com alguns conselhos e recomendações. Alertou os mesmos sobre os riscos, os desafios e as perseguições no caminho, mas também os consolou com palavras de ânimo e encorajamento. Por três vezes, disse aos apóstolos: "Não tenhais medo!" (Mt 10,26.28.31). Essa insistência revela uma realidade difícil e de resistência ao anúncio do Evangelho, e uma condição humana, que é o medo diante dos conflitos e das crises.
Quando lemos a experiência vocacional dos personagens bíblicos, notamos que o medo é uma realidade humana constante. São inúmeros os exemplos narrados nas Sagradas Escrituras: de confusão diante do chamado, desculpas para não assumir o compromisso, queixas, consciência das fragilidades, pequenez, insegurança, pobreza, condição de pecado, fuga, pedidos de ajuda e proteção, sinais e provas da presença de Deus.
Até José e Maria passaram por momentos de confusão e perturbação diante de um compromisso divino. Foram consolados pelo Anjo: "José, filho de Davi, não temas receber Maria" (Mt 1,20); "Não tenhas medo, Maria! Encontraste graça junto de Deus" (Lc 1,30). O Senhor sempre se apresenta como aquele que está junto, protege, dá apoio, fortalece, incentiva e cura do medo.
Nas injúrias, perseguições e crises, o profeta Jeremias confessou com confiança: "O Senhor está ao meu lado como forte guerreiro" (Jr 20,11).
"O Senhor é a força do seu povo, é a fortaleza de salvação do seu Ungido" (Sl 27,8-9). A fortaleza é dom do Espírito, é a luz, a coragem e a força que Deus nos concede para vivermos a fé e as suas consequências. O Espírito Santo nos resveste de sua unção e de vigor para vencermos as fragilidades e tribulações que normalmente convivem com a natureza humana. A fortaleza não é poder, mas confiança na graça do Senhor e na sua proteção.
Não devemos temer a missão, pois fomos redimidos por Jesus Cristo. Deus nos amou tanto que deu o seu Filho Unigênito como nosso salvador. A nossa vida está em suas mãos. A resposta é exigente, implica dificuldades, renúncias e desafios, mas o que Jesus pede não supera as possibilidades do ser humano. A fé e a confiança na graça sustentam a vocação e o seguimento do Mestre. Com ele, o jugo é suave e o peso é leve (cf. Mt 11,30). Jesus nos garantiu que vai estar conosco, "até o fim dos tempos" (Mt 28,20). Portanto, não ter medo, significa acreditar plenamente no amor de Cristo, não se deixar vencer pelos próprios limites e fraquezas, e prosseguir com firmeza na missão. Quando o nosso coração está em Deus, perde o medo, pois contamos com uma força maior.
Dom Paulo Roberto Beloto.
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